.

Uma graça, esse Marcelo Damato. Acompanhem aqui. Vejam quanto – como direi? – espírito:

O primeiro milagre de são Luiz Gonzaga

por Marcelo Damato

Aquele que foi coroado o Messias alviverde, no seu primeiro dia de governo, perpetrou o seu primeiro milagre no Parque Antarctica.

Lenny, que não marcava um gol havia quase 700 dias, desencantou sob os olhares de Luiz Gonzaga Belluzzo, e comemorou sob a forte chuva. Parecia que até Deus ficou emocionado com esse milagre. E o Palmeiras, mesmo com um time misto, goleou o Marília por 3 a 0.

Mas como no futebol não há milagre que seja puramente santo, tão logo Lenny estufou as redes, surgiu uma tempestade elétrica vinda dos céus que derrubou a minha Net, a minha banda larga, por infinitas horas, até estas 3h da manhã.

E não pude ver, apenas ouvir, o final da partida.

Mas Belluzzo precisa se acautelar. São Luiz Gonzaga, o Patrono da Juventude, foi tão santo quanto efêmero. Morreu aos 23 anos, infectado por um moribundo a quem carregou nas costas.

OK, Damato estava louco para fazer a piada – e, com ela, manter certo tom em relação a certos assuntos. Só que, se a exemplo de muitos de seus leitores que se manifestaram em seu blog, alguém mais susceptível resolver interpretar a última frase do texto, não vai precisar se esforçar para notar que, em outras palavras, Damato chamou a Sociedade Esportiva Palmeiras de “moribundo infecto”. Sem querer ou não, querendo atingir Luxemburgo ou não, é impossível não admitir o clube no rol de possibilidades oferecidas pelo texto. Não me venham com rodeios, por favor. Metáforas são para isso mesmo.

Quem, por amor à literalidade – ou à pollianice – quiser se arriscar a dizer que Damato não disse que o Palmeiras é tal qual um “moribundo infecto” – seja lá o que isso signifique para esse sujeito – deverá sustentar que o doce jornalista talvez acredite, com toda a força de seu coração fofo, que Beluzzo é mesmo o jesuíta São Luiz Gonzaga, capaz de operar milagres como o de aturar, com celestial serenidade, gente que escreve “moribundo infecto” e ainda acha que está sendo sutil.

Depois, essa turminha ponderada, que vive das letras e de suas nuances, vem e nos pede respeito e educação.

Que gracinha, né?

Anúncios