Post altamente extra: não, não é aquele mais sério, e prometido para ainda esta semana. É só um aparte.

Não, não acho que a diretoria do São Paulo seja o “Belzebu encarnado”. Na realidade, sempre achei que essa turma está mais para Mamon.

Em todo o caso, o Blog do Meu Saco concorda com esta irreverente iniciativa, que vi pela primeira vez no Parmerista.

E também concorda com a esta opinião, do Forza Palestra do Barneschi.

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Nesta semana teremos dois posts, e não um. Para compensar o atraso (o dia certo é segunda) e porque este aqui, por mais sintomático que seja, não é importante diante do momento pelo qual estamos passando. É que, e os senhores verão que não estou mentindo, a coisa é de fazer coçar os dedos.

Vejam lá: no começo, cheguei a pensar que fosse algo pontual. Depois, como os problemas de instabilidade são mais comuns no “Além do Jogo” do que em qualquer outro blog rodando na mesma plataforma, desconfiei que o autor andasse sendo prejudicado por más condições de trabalho. Após algumas semanas, começo a acreditar que Damato é apenas um porcalhão.

Os grifos são todos meus. Esta é de hoje:

O que diabos quer dizer É mais porcaria ayé do que o próprio clube. Clube mais tradicional de Portugal, o Benfica venceu apenas , que só ganhou um título português nos últimos dez anos.?

Afora a agressão gratuita dirigida à instituição – o profissional encontrou bolas para isso nas dimensões do Oceano Atlântico, mas sua vontade (ao menos segundo se desconfia pelo tom geral com que o blog é conduzido) era poder fazer o mesmo por aqui –, coisa habitual no jornalismo damatiano, há de se notar os erros de digitação e espaçamento. Alguém dirá: e daí, que frescura! Que chatice!

E seria mesmo, não fosse o fato de que quase todos os posts de “Além do Jogo” apresentarem estes e outros problemas, sistematicamente. A cada dia que passa, a leitura vai se tornando mais e mais dolorida. Afora isso, lembrem-se: Damato é da turma dos críticos preparadíssimos sapienciais. Não cuida do próprio repositório de textos opinativos, muito flexível no que diz respeito às correções de toda ordem, mas é dos que acha que pode viver de apontar os dedinhos pra tudo que é canto. E vive disso. E vive, portanto, de desrespeitar os mais mínimos requisitos de seu ofício.

É sério. Tomemos alguns poucos dias como exemplo.

Em 17 de maio, às 23:07, outro exemplo de digitação atenta:

No jogo do Mineirão, o árbitro não Wilson Seneme não deu um pênalti claro a favor do Grêmio e deu outro muito menos evidente a favor do Atlético

Ainda em 17 de maio, às 23:02, um aposto sui generis – e isto já é bem mais grave:

Sem contar, outras grandes intervenções, contra André Santos e Elias.

Em 16 de maio, às 21:42, esta Senhora Demonstração de domínio da ferramenta. O post começa assim:

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Na seqüência, um show de vírgulas – e da ausência delas, afinal – bem colocadas, períodos claros e descrições precisas:

E mais Bruno fez grandes defesas, evitando o pior.

Mas é fato que também um lance na outra área em que o jogador abriu uma asa ao virar de costas.

… o técnico Silas – aquele que surgiu com Muller cresceu, chegou à seleção e foi camisa 10 na Copa de 1990 – e praticamente não foi notado.

No mesmo dia, às 21:18, em outro post aberto por código, a pressa lhe fez comer preposições e letras:

E Seneme é reconhecidamente um melhores árbitros do Brasil.

…Herrera se colocou em impedimento para receber o cruamento

Em 16 de maio, às 17:48, a digitação (espero) prejudicou-lhe a concordância, e qualquer outra coisa prejudicou-lhe a concentração:

Os donos dos saloons vai proteger os espelhos. O pinanistapôs a tabuleta pedido que não se atire nele

Um dia antes, em 14 de maio, às 4:52, um sonado Damato trocou a supressão de caracteres devidos pela inclusão de indevidos (E dcomo quase), o gênero de um substantivo (No intervalo, a execução do hino foi exibido) e, para encerrar, atacou outra vez a concordância verbal (As imagens mostrava apenas).

E já havia começado o dia comendo palavras inteiras – só um verbinho à toa, é verdade – quando nos disse que se nenhum brasileiro chegasse às finais da Libertadores, vai muito difícil aguentar o mala do Hugo Chávez.

No dia 13, às 20:54, Damato saiu-se com um “Histoircamente” . Depois, graças ao tique de descer a lenha na fraqueza dos clubes brasileiros, disse que Ecclestone foi um tremendo traidor porque usou o apoio dos clubes em causa própria, querendo falar, é claro, ou de equipes de F1, ou de construtores de carros. Isso tudo porque Unidos as escuderias, sabe-se lá o que poderia acontecer. E o jornalista ainda encontrou tempo para fechar a coisa com mais esta lição de como tratar a vírgula, utilizando-a para separar o sujeito do predicado: Mas, a cada dia, a chance disso, diminui um pouquinho. No mesmo dia 13, já havia abusado da pobrezinha (se bem que sob outra modalidade) neste inexplicável O goleiro do Vitória até teve de jogar com meiões com a sigla, CRVG, do Vasco. Nada parece capaz de detê-lo. Nada.

Não é nada, não é nada, já é alguma coisa. Portanto, antes de tachar-me de chato pense um pouco nisso: não se tratam de erros pontuais. O blog é todinho assim – descuidado na forma, no visual e – por que não? – em tudo o mais. Afinal, se Marcelo dá tal atenção ao seu mais pessoal material, imagino em que estado escute suas fontes. Ou faça suas pesquisas. Ou confira datas, ou cruze informações, ou cheque fatos. Ou pratique todo o resto de seu jornalismo. Sim, porque se fôssemos apanhá-lo pelo conteúdo, bem…

Juro-lhes, a coisa não ficaria melhor.

Ainda esta semana, algo mais substancial. Até lá.

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Paulada diária de Eduardo Arruda, no Painel FC da Folha de sexta:

Reclamação. O Palmeiras tem hoje mais de 60 processos trabalhistas. As cobranças chegam a cerca de R$ 30 milhões. O clube, entretanto, diz acreditar que não perderá mais do que R$ 1 milhão

Arruda parece acreditar que parte das atribuições de seu cargo consiste em lançar ao menos uma nota diária que possa, de alguma forma, parecer deletéria ao Palmeiras.

Não vou entrar no mérito da questão – todos, todos os grandes clubes brasileiros, a exemplo de todas as grandes empresas brasileiras, sem exceção e por conta de motivos que sequer vêm ao caso, trabalham com passivos trabalhistas inevitáveis e nominalmente tanto enormes quanto fantasistas que, em regra, são perfeitamente administráveis – porque não pretendo me ater a esta nota, isolada. O que interessa é o método, ou mesmo a mera existência de um método. Se o volume de dinheiro exigido nas iniciais trabalhistas fosse motivo sério de nota em qualquer painel, a Folha da Manhã S.A. deveria reservar todas as suas edições de domingo – ad aeternum – somente à auto-referência, num imenso Painel TRT.

Observem o quadro abaixo. Nele, reuni todas as citações ao Palmeiras contidas em notas assinadas por Arruda, no Painel, no intervalo compreendido entre 07 de abril de 2009 e 07 de maio de 2009 – 01 mês, portanto. O resultado é pertubardor.

Lendo as notas, é possível compor certa imagem do Palmeiras segundo a qual o clube só pode ter sido tomado por celerados suicidas, duendes histéricos e ogros satanistas. Os conselheiros, diretores e sócios do Palmeiras estão sempre “revoltados”, “irritados” ou “rebelados” contra tudo e todos, desde a comissão técnica até as pedras das alamedas internas. São personagens capazes de dar demonstrações de otimismo apenas se e quando possuídos por alucinada e imprevidente arrogância. Ninguém jamais está satisfeito com a administração do clube, do futebol e da vida. A torcida também não é muito boa da cabeça. Quem lê Arruda todos os dias, em pouco tempo convence-se de que, no Palmeiras, há sempre – diariamente, mesmo – motivo para desconfiança mútua e interna quanto às contas, à competência e a sinceridade de todos os envolvidos em cada um dos setores da instituição para cada um e para todos os atos que dentro dela ocorrem. O Palmeiras de Arruda é o próprio inferno de Dante. Não é exagero. Vocês vão ver.

O quadro é exposto pela data da publicação, desde a mais recente até a mais antiga, mantendo-se somente a seqüência interna de cada dia – a ordem é proposital: invertendo-a em relação à originalmente publicada, evito o efeito “novelinha” e reforço o argumento de que o efeito produzido está é na sistematização do tratamento dado ao clube, e não nos fatos do mundo que podem ou não ser objetos de um painel. São 68 apontamentos, todos comentados. A gente fica tentado a rir, mas acaba se consternando antes.

Vamos lá.

Dia Nota Observação
7/5 Torto. Cartolas palmeirenses disseram ontem que a entrada da Mancha Alviverde no Palestra Itália foi liberada porque membros da organizada que haviam ingerido bebida alcoólica ameaçavam fazer quebra-quebra na porta do estádio. Ninguém, contudo, assumiu quem deu a ordem para a torcida entrar. Afora a mentira pura e simples (uma turba embriagada, enfurecida e uniformizada não esperaria uma notinha ordinária para se fazer notar), reparem como a diretoria do Palmeiras é descabeçada: são criaturas que acham que se bêbados furiosos tentam entrar à força em sua casa, é melhor pô-los logo para dentro antes que arrumem confusão. Ora, mas pode ter sido uma desculpa para a leniência! – alguém dirá. Para quê, se quem entrou nem uniformizado estava (videm fonte direta no Forza do Barneschi)? O troço não tem pé nem cabeça, além de não se apoiar em fato nenhum.
7/5 Vítima? Paulo Castilho, que proibiu a entrada da Mancha nos estádios, era o único que poderia autorizar a torcida. Porém, dizem palmeirenses, não foi localizado. O promotor, que ontem criticou a presença da organizada, diz ter tido seu celular furtado em uma lanchonete do estádio. Se os desmiolados diretores pretendiam passar por cima do promotor, por que a) procuraram-no, se queriam praticar ato que deveriam esconder dele, o promotor procurado e b) procuraram-no a sério, se caso o achassem piorariam a situação de seus protegidos e ainda falhariam no intento de ludibriá-lo? Ah, mas eles só dizem que procuraram, é mentira… alguém dirá. Notem como ou essa gente que manda no clube deveria estar internada, ou o único sentido da nota é encaixar a acusação de furto. Arruda deve ter achado que emprestava algo de sapeca à atmosfera de desordem e loucura que tentou pintar.
6/5 Tranquilo. Mesmo com a proibição do Ministério Público de entrar nos estádios, a Mancha Alviverde estava presente no Palestra Itália ontem. O presidente da torcida, André Guerra, perambulou com a camisa da organizada. Qualquer pessoa mais ou menos normal percebe que a proibição não pode ser efetiva, ou seja, que não é capaz de impedir torcedores pertencentes à uniformizada de ir ao estádio, mas apenas privá-los do direito de se vestirem como bem entenderem – e isso apenas no estádio. E somente alguém profundamente engraçadinho pode imaginar que tal veto não pode ser eventual e pontualmente contornado. Arruda é um brincalhão.
6/5 Truque. A diretoria do Sport está irritada com o Palmeiras. Afirma que o clube está assediando o atacante Ciro e o lateral-direito Moacir. Ah, essa diretoria do Palmeiras… Assediando as principais promessas do adversário direto numa competição de vida ou morte, durante a competição de vida ou morte! Canalhas! A diretoria do Sport (seja lá o que isso signifique, Arruda não nos diz) tem mesmo que ficar irritada. E digo mais: se Beltrão ainda não havia pensado em mais essa, não deve se fazer de rogado. Por favor.
6/5 Catraca. No caso de Moacir, os pernambucanos contam que a BWA, que tem 45% dos direitos do atleta, tenta colocá-lo na equipe alviverde para se reaproximar do clube. Bela salada. A BWA, que todos já conhecemos, volta à tona. Agora, digam-me: como os diretores do Sport (quais, Arruda não conta) estão sabendo que a BWA quer prejudicá-los para ajudar o Palmeiras e assim se reaproximar do clube já, imediatamente após levar um pé na bunda (não esperam nem a quentura passar)? É coisa que só a sandice da diretoria do Palmeiras poderia explicar, né mesmo?
5/5 O personagem. A diretoria do Sport está preocupada com a escalação do árbitro argentino Sérgio Pezzota para o jogo com o Palmeiras hoje. Diz que ele prejudicou o Colo Colo no Parque Antarctica na fase de classificação e está envolvido em escândalos em seu país e no Uruguai. A diretoria do Sport deve ter sido envolvida pelos ares manicomiais da do rival. O Palmeiras foi derrotado por 3 x 1 contra o Colo-Colo, mas isso porque o árbitro ainda quebrou um galho. De toda forma, fica o registro de que a diretoria do Palmeiras, além de ser capaz de tudo – como se verá adiante – não estava preocupada com o árbitro. Aí tem. É espantoso o tom de legitimidade com que se transmitem as preocupações alheias, semelhantes em tudo ao que, na diretoria ou na torcida do Palmeiras, se verifica como complexo de perseguição – essa gente paranóica que vê um complô a cada esquina.
5/5 Zíper. O vice de futebol do Sport, Guilherme Beltrão, conta que seus jogadores estão orientados a não responder provocações dos rivais. Naturalmente, Cipullo tem orientado seus jogadores a saírem na porrada ao menor sinal de malemolência adversária. Os dirigentes do Palmeiras jamais são tão sensatos quanto os comandantes da esperança da hora. Isso vai ficar claro no próximo tópico, quando ficaremos sabendo que…
5/5 Desejo. Já os palmeirenses dão de ombros para as suspeitas do rival. Afirmam que o clube pernambucano não deveria ter feito pressão para a escalação de estrangeiros. o que é orientação no rival – orientação, essa palavra sóbria e tranqülizadora – no Palmeiras é dar de ombros, esse gesto sórdido de desdém prepotente. Ademais, o Sport pediu mesmo árbitro estrangeiro, mas não porque estivesse tomado de qualquer sentimento encaixável numa palavra desagradável, e sim porque o pessoal de lá, como se sabe, é muito preocupado (ver a primeira nota do dia).
4/5 A prazo. A explicação da diretoria palmeirense para fechar acordo que asfaltou partes do clube com a empresa do sobrinho do secretário-geral Ebem Gualtieri foi a de que ela tinha o melhor preço e parcelava em três vezes. Afora o constatação de que, como se percebe pela freqüência do assunto, a diretoria alviverde vive tendo que dar explicações sobre algo suspeito, a gente fica tentado a perguntar que outra explicação poderia ter sido dada. Ou o clube é composto por gente que faz acusações infundadas apenas para ouvir respostas imbecis, ou aí vai mais uma nota em que o importante é dizer que há confusão no pedaço – e os fatos que se danem.
3/5 Chantagem. Um ex-funcionário do Palmeiras tem oferecido a opositores de Gilberto Cipullo dossiê com supostas irregularidades cometidas pelo terceiro vice-presidente do clube alviverde. Pelo documento, ele estaria cobrando R$ 10 mil. Dossiê com “supostas irregularidades” é como um exame de HIV constatando suposta soropositividade talvezísitica. Não existe nem como prova judicial, nem como subsídio jornalístico. Notem a imoralidade da coisa. Se há mesmo tais opositores – a coisa é tão vaga que mais parece mentira, e posso tecer tal comentário dizendo algo assim: “ex-amantes de Arruda garantem que ele ouve vozes” – a afirmar coisa tão séria, a obrigação do jornalista é investigar o episódio, não dar vazão a um dos lados da história atendendo, única e exclusivamente, às necessidades desse lado – quer se trate do lado que diz a verdade, quer não. Arruda sequer tentou ouvir Cipullo. A coisa é de uma enormidade indefensável.
3/5 Corrosão. A diretoria do Palmeiras diz que o aumento das mensalidades dos sócios já estava prevista para fevereiro e que foi adiada à época para uma melhor análise. Os dirigentes concluíram que isso era inevitável para impedir um sucateamento do clube. O clube está, portanto, às portas do sucateamento – caso contrário não haveria urgência no aumento que foi… adiado diante da ameaça de… sucateamento. Fico confuso. Ou o clube está sob risco de virar sucata, ou pode adiar aumentos. Mas acho que sei o que aconteceu. Arruda estava louco para enfiar as palavras sucateamento e clube no mesmo período, desde que estivéssemos falando do clube certo. Poderia falar em defasagem, em descompaço, mas estava louco por escandir su-ca-te-a-men-to. Achou gostoso, nunca havia dito ou escrito algo assim antes. Foi só isso. Não se trata de maldade do Arruda. Tratam-se apenas de desejos recônditos de um homem positivamente negativo.
2/5 Boa. O presidente do Palmeiras, Luiz Gonzaga Belluzzo, gostou do adversário do time nas oitavas de final da Libertadores. “O Sport a gente já sabe como joga. Para nós, foi uma boa”, declarou. É um arrogante. Todo o mundo sabe. Os palmeirenses do Arruda só podem ficar felizes se nos oferecerem a ocasião de, depois, tirarmos uma com a cara deles.
1/5 Rebeldes. Estremecido com a direção do Palmeiras, o primeiro vice do clube, Salvador Hugo Palaia, inaugurou sala nas dependências do clube. Aliados do vice dizem que o local será o “foco da resistência” do grupo do ex-presidente Affonso della Monica. Os “aliados”, aqui, são como os “opositores” lá de cima e os “cartolas” de sempre – não são pessoas, apenas personagens que vivem tramando maldades. É todo mundo louco: os opositores excêntricos que fundam a “resistência” não são melhores que os doidivanas arrogantes a que fomos apresentados nas outras notas.
30/4 Motim. Associados do Palmeiras farão um abaixo-assinado contra o aumento de 25% na mensalidade a partir de maio. A oposição reclama de que a diretoria descumpriu promessa de não elevá-la. A balbúrdia, a balbúrdia. As promessas descumpridas, os diretores farsantes, os opositores de fancaria. Bom, quem elege essa turma e ainda torce pelo Palmeiras não pode bater muito bem da bola, né não? Sugestão aos que quiserem acompanhar a questão de perto: ao Parmerista, de Conrado Cacace.
30/4 Justificativa. Em carta, a direção do Palmeiras associa o aumento às metas financeiras traçadas para alcançar um “equilíbrio financeiro”. Que coisa, né? Outra vez, dada a obviedade do conteúdo da carta, quase salta na nossa cara a vontade de Arruda de pinçar dela – a base da nota – o termo que mais lhe coçou a orelhinha sagaz. Fica para o leitor adivinhar qual é. Ai, que difícil!
29/4 Recorde. Causou espanto no Palmeiras o gasto registrado pelo clube com o futebol no mês de março: R$ 12 milhões, ou quase quatro milhões a mais do que o consumido em fevereiro. Os números foram divulgados anteontem à noite, em reunião do Conselho de Orientação. Conforme havíamos dito, no Palmeiras o clima é sempre de espanto, irritação, revolta ou conspiração. Vejam bem, essa é surpreendente. O departamento de futebol majorou suas despesas em 50% de um mês para o outro, mas ninguém estava avisado e nem ficou sabendo de nada até a demonstração dos resultados, donde o espanto generalizado. Plausível como eu e Jennifer Lopes lutando na piscina do Gugu, gel para todo lado e ela tentando impedir minha fuga. Chega a ser criancice do colunista. Ainda mais por que em seguida ficamos sabendo que…
29/4 Bode. A explicação da diretoria para essa quantia é a de que o clube teve de pagar R$ 2 milhões pela compra de parte dos direitos de Keirrison. Os conselheiros não engoliram. E mantêm a posição de que o rombo é causado pelos gastos com Vanderlei Luxemburgo e sua comissão técnica. … os conselheiros só ficaram sabendo da compra de ninguém menos que Keirrison somente um mês depois do negócio. Não lêem jornal. Arruda quer que engulamos isso, mesmo depois de dizer que os conselheiros (devem ter sido todos, não é não?) não são trouxas – somente malucos, como ficamos sabendo ao longo do mês – e não engoliram, eles, o que ele, Arruda, considera conversa fiada, posição que só se sustenta na hipótese de Keirrison ter sido doado ao clube em segredo. Estão todos sabendo que a culpa é de Luxemburgo e de sua comissão careira. Francamente, o Arruda é mesmo levado. Pretende que tomemos a versão que mais agrada à oposição do clube – opinião não necessariamente sincera, aliás – pela opinião geral dum Conselho que acaba de eleger Beluzzo.
29/4 De olho. No Palmeiras, a escalação do árbitro paraguaio Carlos Torres, o mesmo que trabalhou na vitória do time contra o Sport, para o jogo contra o Colo Colo foi comemorada ontem. Conselheiros disseram que gente da Traffic andou conversando com gente da Conmebol. E os Conselheiros (todos, né não?) agora mostram o quanto tramam contra os adversários. Não é o suficiente beberem uns o sangue dos outros. Ao passo que os dirigentes rivais tem lá seus motivos de preocupação para com árbitros que a) só são estrangeiros porque eles querem e b) apitam partidas em que o Palmeiras é derrotado em casa, os representantes do Manicômio Verde têm razões obscuras  e suspeitas para comemorar uma conversa entre gentes da Traffic e da Conmebol . Se isso não for insinuar coisas, não sei o que possa ser. Gozo em saber que, desta feita, a Traffic não tenha enviado seus lobisomens. Arruda ouve vozes e eu vejo fantasmas. Imaginem a Traffic sacaneando nos bastidores e deixando a sujeira vazar para conselheiros desses que falam ao Arruda ou, pior ainda, conselheiros pilantras que apóiam a Traffic urdidora indo correndo ao Arruda para sabotar os próprios planos. Eu e Jennifer pedimos mais gel. Muito mais gel. Agora.
28/4 Irregular. O Palmeiras perdeu o prazo estabelecido pela CBF para apresentar laudos exigidos pela entidade para liberar o Palestra Itália a receber jogos do Brasileiro-09. Ontem, membros da diretoria do clube alviverde tentavam regularizar a situação. Ah, bom. Mas o dia não poderia passar em branco. Uma cagada deveria haver, conforme informam colegas de Arruda. Estou captando o estilo, hein?
27/4 Dúvidas. Oposicionistas palmeirenses contestam a informação do presidente do Palmeiras, Luiz Gonzaga Belluzzo, de que parte do salário do técnico Vanderlei Luxemburgo é pago pela Traffic. Dizem que os valores pagos pela parceira são descontados de vendas de direitos de atletas. E o que dizem os situacionistas? É impressionante, senhores: em nenhuma hipótese os situacionistas têm o direito à palavra, a não ser que a última delas seja concedida à acusação. Arruda é a própria Rainha de Copas. Aliás, Arruda ao menos tentou conferir se o que os oposicionistas disseram – isso se não foram as vozes dentro da cabeça dele – corresponde aos fatos? Hein? Caso contrário, por que ele não adota o discurso da situação e pronto? Jornalisticamente, daria no mesmo, ou seja: em nada.
27/4 Reforço. A diretoria do Sport diz ter descoberto que o empresário Sérgio Malucelli, amigo de Luxemburgo, trabalhou pelo Palmeiras nos bastidores da Taça Libertadores. Meu Deus do Céu, quando, onde, quem disse isso? Qual diretor? Em que circunstância houve a – francamente, hein? – “descoberta”? Por que Malucelli seria útil numa situação dessas? Essas notas saem quando as pílulas acabam? Esse rapaz precisa de cuidados médicos. Só o Palmeiras age nos bastidores? A diretoria do Sport comporta-se apenas às claras, ou não pôde conseguir intermediários tão significativos? Por que não procuraram – deixem-me ver – Agnaldo Timóteo, por exemplo? Ele teria tanto à dizer aos “bastidores da Taça Libertadores”, seja lá que porcaria é essa, quanto toda a família Malucelli. Ai, minhas bolas, por favor, alguém me ajude: o que diabos são “os bastidores da Libertadores”? É só uma rima? Arruda, me acuda! Assim vale?
26/4 Mais um. A contratação do volante Mozart pelo Palmeiras gerou novos protestos de conselheiros contra Vanderlei Luxemburgo. Lembram que é mais um jogador que tem origem no Paraná, Estado onde o técnico costuma buscar reforços. Agora passamos à palhaçada. Protestos são, por definição, públicos. E ninguém teve notícia de nada disso, a não ser as vozes que assombram Arruda na noite de sua mente poética. E será que os conselheiros do Palmeiras são tão retardados que se prestariam a uma acusação dessas? Mozart está no Leste Europeu há anos. O que o Iraty – pois é isso que ele quis dizer – tem a ver com isso? Trocaram a receita? Cadê a Ritalina?
25/4 Cobertor curto. O Palmeiras teve de improvisar barreira de proteção de vidro para separar os torcedores de seu camarote Premium no Parque Antarctica. Os vidros para o local foram retirados de um salão de festas do clube. O fato revoltou conselheiros. Sim, o Palmeiras está tão sucateado que rouba a si mesmo e lesa a si próprio. E o clima de revolta continua. É tanta revolta que já vejo Beluzzat (ou seria Maruzzi?) assassinado na banheira, pena em punho, pela orfã esfaqueadora de um conselheiro oposicionista morto em razão da revolta, da irritação e durante qualquer trambique contra a tesouraria do Juqueri – são tantos nessa situação que a possibilidade é imensa, não é mesmo?
24/4 Luxemburgo SA. O presidente do Palmeiras, Luiz Gonzaga Belluzzo, afirma que a comissão técnica do clube custa menos do que R$ 620 mil ao clube, valor divulgado pelo técnico Vanderlei Luxemburgo na última terça-feira. O motivo, explica o cartola: “Custa menos porque nossa parceira paga uma parte do salário do nosso treinador”. Os valores não foram confirmados pelo dirigente, mas cartolas ligados à diretoria alviverde dizem que a Traffic desembolsa cerca de R$ 200 mil mensais para cobrir os vencimentos do técnico palmeirense. Compreendam: cartolas ligados (são mais de um, o que se deduz do plural, e foram escolhidos por Beluzzo, o que a lógica pede) à diretoria dizem que o que o chefe, para protegê-los, esconde. Só para estrepá-lo. É super usual. No Palmeiras. Jennifer, cuidado com esse dedo!
24/4 Tendência. Para Belluzzo, o valor pago pelo clube à comissão técnica está dentro da realidade de mercado. “Nossa comissão não custa mais que a dos outros grandes”, afirma. “O custo do futebol é alto e, se você quer competir, não pode ser inferior ao dos outros.” Notem que Beluzzo pode estar enganado: “Para Beluzzo…”. Isso precisa ser assim porque…
24/4 Acareação. Na próxima segunda-feira, membros do Conselho de Orientação e Fiscalização do Palmeiras prometem cobrar do presidente o detalhamento com os gastos do futebol, que ultrapassaram os R$ 8 milhões em fevereiro. … o homem talvez não tenha como se justificar acerca das despesas com futebol. R$ 8.000.000,00 para um departamento de futebol engajado na briga pela Libertadores parece, para todos – nessas horas, os oposicionistas tornam-se todos “membros do Conselho” – os envolvidos na administração do clube uma cifra inimaginável. É engraçado, mas só os conselheiros do Palmeiras sempre sabem o quanto custa o futebol do clube e só os conselheiros do Palmeiras nunca gostam do que ficam sabendo. Não ouvem boas notícias desde que Arruda suspendeu a Ritalina. Essa história da Ritalina me foi garantida por “companheiros próximos a Arruda numa sauna que ele freqüentaria”. Algo assim. Outra coisa: acareação, Arrudinha? Acareação?
23/4 Piche. O presidente Luiz Gonzaga Belluzzo explicará ao Conselho de Orientação e Fiscalização o processo de licitação para asfaltar o estacionamento do Palmeiras. Piche, Arrudinha? Quem lhe contou isso? É possível acareá-lo com a fonte?
23/4 R$ 49 mil. “Eram quatro propostas, e venceu a melhor”, diz Belluzzo. “Não importa se foi a do sobrinho do Ébem [Gualtieri]. Não posso tirá-la por isso”, explica ele, referindo-se à empresa de Pedro Gualtieri, sobrinho do secretário-geral do clube. Ah, entendi. Esse Beluzzo é safado, Só não vê quem não quer. Está claro. I see dead people!
22/4 Famoso quem? O 2º vice do Palmeiras, Clemente Pereira Jr., foi barrado ao tentar entrar no camarote Premium do Palestra Itália no clássico com o Santos. Ele fez um escândalo e disse que, por seu cargo, entraria sem pagar. Não deu certo: ficou de fora. O que não falta é maluco lá, né mesmo? Ô povo destemperado!
21/4 Desmotivado. A avaliação de dirigentes palmeirenses sobre Vanderlei Luxemburgo é a de que o técnico não está concentrado no trabalho. Reclamam de que as famosas preleções de Luxemburgo, que sempre funcionaram e motivaram os atletas, não têm mais surtido efeito. Um exemplo é que ele nem utiliza mais as provocações dos adversários para incentivar seus jogadores. Citam o duelo contra o Sport, na semana passada, no Parque Antarctica, quando os pernambucanos disseram que o time alviverde era freguês em sua casa. Quais dirigentes? – não preciso de nomes, mas gostaria de ter uma idéia da área de atuação e do número. Pelo que entendi, devem ser Paulo Vinícius Coelho, Vítor Birner e Juca Kfouri. Arruda é claro como o céu de outono, donde resulta essa impressão de que, além de ouvir vozes, ele psicografa vivos. Certamente, na esperança bonita de ser o mais vivo de todos. Grande garoto.
21/4 Vale. O prêmio pago pela diretoria do Palmeiras pela classificação às semifinais do Paulista foi de cerca de R$ 700 mil. Conselheiros do clube dizem que o dinheiro veio do banco Banif. O diretor financeiro do clube, Fábio Raiola, conta que a verba saiu de adiantamentos de cotas. Notem que Raiola pode ter oferecido o adiantamento de cotas para garantir o empréstimo utilizado no pagamento do prêmio, e desse modo ninguém estaria mentindo – hipótese inconcebível para a alma arrudiana. Mas isso é assim porque…
21/4 Em vão. A expectativa da diretoria era que, com o adiantamento no pagamento do prêmio, o time fosse ter um desempenho melhor. … aos trouxas que dirigem o clube, só resta a decepção. Os dirigentes do Palmeiras são os únicos, no Brasil, cuja frustração pela derrota precisa ser agravada pela bovinidade. Todos os outros, quando perdem, perdem esportivamente.
20/4 Olho no professor. Grupo de oposição a Luiz Gonzaga Belluzzo vai criar o “Palmeiras Forte”, para fiscalizar e cobrar a administração. Ah, bom. Eles devem ter motivos mil. Por exemplo…
20/4 Asfalto. A gota d’água para a articulação do movimento foi a licitação para a pavimentação do estacionamento e das alamedas do clube. … esse assunto das alamedas…
20/4 Preços. Os oposicionistas dizem que a empresa vencedora cobrou R$ 49 mil pelo serviço e é ligada a Pedro Gualtieri, sobrinho do conselheiro situacionista Ébem Gualtieri, diretor financeiro na gestão do ex-presidente Affonso Della Monica. … que começou aqui. O caso é que Arruda, conforme me garantem figuras próximas a ele em atividades telúricas, está instruído por alguns de seus superiores a achincalhar o Palmeiras ao menos uma vez por dia. Ou é isso ou prevalece a versão segundo a qual nenhuma área social de nenhum grande clube paulista é causa de confusão, fofoca e baixaria entre os associados. Diretores, conselheiros, opositores e situacionistas de todos eles garantem isso, em protestos irritados e, quiçá, revoltantes, todos eles cochichados nos bastidores.
19/4 Outra vez. A pedido do Ministério Público, a polícia abriu inquérito, no 23º DP, contra a Mancha Alviverde. O motivo: a emboscada feita pelos palmeirenses a um ônibus com torcedores do Sport após o jogo da última quinta-feira. Ah, não acredito. Se for verdade que houve tal emboscada, é a primeira vez, desde que começamos, que Arruda consegue estocar o clube sem recorrer às vozes ou ao Gardenal. Vejam só, talvez esta nota (e a próxima) sejam fruto de trabalho honesto!
19/4 Barrada. A partir de hoje, será proibida a entrada da Mancha nos estádios. Nenhum membro da organizada poderá ir aos jogos com camisas, faixas ou bandeiras da torcida. A Promotoria da Justiça e Cidadania também deve pedir a extinção da torcida. Favor observar a nota anterior. Emociono-me com facilidade.
18/4 Vida Dura. Dirigentes do Palmeiras estão revoltados com o técnico Vanderlei Luxemburgo. Reservadamente, reclamam de que o clube teve de recorrer a empréstimo bancário para acertar a premiação do treinador pela classificação às semifinais do Paulista. Segundo cartolas, Luxemburgo exigiu receber o dinheiro antes do primeiro jogo com o Santos. A coluna procurou a assessoria do técnico, mas não obteve resposta. O presidente do clube, Luiz Gonzaga Belluzzo, tem sofrido pressão até para demiti-lo em caso de fracasso hoje. Ah, estava bom demais para ser verdade. Voltamos às vozes. Arruda é um irresponsável. Não está preservando fontes, está é brincando de esconde-esconde. Esses dirigentes são maioria? A pressão é séria? A informação da exigência de Luxemburgo procede, ou ao menos há indícios de que proceda? Como levar a sério essa montanha de alegações atribuídas a coletividades inidentificáveis, quase etéreas: dirigentes, cartolas (o que ele quer dizer com cartolas? Cartola é dirigente, pode apenas ser conselheiro? Arruda não está falando só de sócios – aliás, de que catzo ele está falando?), gente, pessoas. E tudo no condicional: segundo um sujeito indeterminado, algo teria acontecido. Precisamos mesmo dessa palhaçada? Por quê?
18/4 Resposta. Se perder, o Palmeiras não deve demitir Luxemburgo. O motivo principal é a multa rescisória do contrato, que vai até o final deste ano. Mas o clube deve enxugar a comissão técnica, com mais de 21 profissionais. Perdeu (para o Santos, o então adversário seguinte), e não expurgou. Acho que a pressão, denunciada no dia seguinte (mais abaixo) não era tanta, ou os conselheiros sequer tinham condições de exercê-la; ou, ainda, jamais existiram e Arruda está apenas ecoando o que seus colegas gostam de ouvir e dizer. Alguém precisa explicar ao rapaz que o fato de lhe pagarem um salário implica suposição de que ele está trabalhando. Já antevejo os cartazes colados aos postes mais remotos da cidade: “Mãe Arruda – Leio Mãos – Resolvo Problema de Amor Clubístico – Orçamento de Grátis“. É, Arruda. “De grátis“.
18/4 Dirigido. Uma das principais reclamações de conselheiros palmeirenses é que Luxemburgo, ao mudar a equipe no duelo com o Sport, pôs em campo Evandro e Marquinhos, que têm sido muito criticados pela torcida. Os conselheiros do Palmeiras têm apenas reclamações. O Palmeiras avança na Libertadores, mas só há gente puta da vida disposta a falar ao Painel. Arruda tem ouvido seletivo. Espero que não obedeça à vozinha que lhe diz, insistente, que ele pode voar. Ou não.
17/4 Manjado. A principal reclamação de dirigentes palmeirenses após o empate com o Sport era com o fato de Vanderlei Luxemburgo saber, há pelo menos duas décadas, como Nelsinho Batista arma suas equipes e sempre ter dificuldade para enfrentá-lo. Repito: os dirigentes do Palmeiras são tão boçais assim? E são tantos os boçais que pareçam a Arruda uma voz significativa? Os “revoltados” – de novo a revolta, meu Deus -, segundo a pena do Painel, fazem uso de um argumento tão pedestre que rebater fica até chato. Preciso mesmo desenvolver isso? Hein?
17/4 Desencanto. Cartolas revoltaram-se com o desempenho de Keirrison anteontem. Reclamavam de que o atacante não entra em divididas e só pensa em jogar na Europa. Também vi torcedores dizendo a mesma coisa. Duvido que cartolas não o tenham dito. Também vi torcedores defendendo Keirrison. Duvido que cartolas não o tenham feito. Por que Arruda fixa-se obssessivamente nos pólos negativos –  e mais tarde vamos ver como isso se restringe ao Palmeiras, ao menos quanto aos clubes. Por quê? Amigos de boteco heterodoxo freqüentado por Arruda garantem que é porque ele tem prisão de ventre, e estão revoltados com isso.
17/4 O culpado. No tenso camarote palmeirense no Palestra Itália, até companheiros de diretoria faziam críticas ao vice Gilberto Cipullo, homem forte do futebol. E quando passou a tensão, a coisa melhorou?
17/4 Em fuga. O vice do Sport, Guilherme Beltrão, desafeto de Luxemburgo, teve de deixar o camarote dado ao clube pernambucano dez minutos antes do final do jogo. Foi avisado por seguranças de que corria risco de apanhar. Quanta precisão, certamente em nome da clareza. Seguranças de quem? Dele, Beltrão, ou do Palmeiras? Os seguranças do Palmeiras disseram a Beltrão que não poderiam garantir-lhe a segurança dentro do próprio estádio do Palmeiras? Ou os de Beltrão não confiam em seus colegas de São Paulo? Descobriríamos mais facilmente caso Arruda não fosse cínico: se Beltrão foi ameaçado nos camarotes pela turba ignara, tais fatos são, necessariamente, públicos e notórios. Portanto, não havia necessidade de manter o estilo vaselina louca. Fica a impressão de que Arruda é criativo, e que está no ramo errado.
16/4 Demais. O salário de Vanderlei Luxemburgo foi alvo de críticas do governador José Serra em jantar oferecido pelo Palmeiras à diretoria do Sport em São Paulo. Ah, claro, a cena é realmente plausível: o governador do Estado reclamando para a direção de seu time de coração, num evento oficial e na presença da direção do clube de outro estado – repleta de membros de outros partidos, hostis ao governador -, pondo-se a comentar os salários do treinador contratado pelos anfitriões, matéria aliás do gosto de muitos dos jornalistas que já acusaram o mesmo governador das intervenções mais insólitas nos rumos do futebol paulista. Suspendam a alopatia. Passemos ao eletrochoque.
16/4 No papel. Quem é contra o acordo com a Outplan, que agora comercializa os ingressos no Palmeiras, reclama de que a empresa atua no clube sem ainda ter assinado o contrato e sem ter apresentado a carta fiança de R$ 1 milhão. Espantosa a capacidade desta diretoria em gerir um clube onde só há ou diretores, ou opositores revoltados. Situacionistas sem cargo, não há. O palmeirense arrudiano é um camarada que “não acredita em situação, mas que ela existe, isso lá é”.
16/4 Palavra. O Palmeiras diz que os departamentos jurídicos das partes estão finalizando o contrato. “E, como não foi assinado ainda, não podemos cobrar a garantia bancária”, explica o diretor financeiro do clube, Fábio Raiola. Jura? Deve ser mentira, Arruda. Por que publicar, hein? Bobagem, rapaz, bobagem. Secretários próximos ao Governador do Estado garantem que ele auditou pessoalmente esse contrato e anda revoltado ou, quiçá, até mesmo muito revoltado com a coisa. Não tem outro assunto, o Governador. Hei, Jennifer, e se a gente tentar um com aroma de morango?
15/4 Boas-vindas. A diretoria do Palmeiras ofereceu jantar aos cartolas do Sport. “Eles serão muito bem tratados aqui, até ele [Guilherme Beltrão, vice do Sport, que está em atrito com Vanderlei Luxemburgo]”, disse o presidente Luiz Gonzaga Belluzzo. Beluzzo não pode ser sinceramente gentil. Essa cadeira fica reservada aos Beltrões da hora. Por isso, “até ele”. Ah, carcamanada suja.
15/4 Sem nome. Desde que começou a criticar Vanderlei Luxemburgo, Guilherme Beltrão não pronuncia mais o nome do técnico palmeirense. O dirigente do Sport refere-se a ele somente como “o funcionário do Belluzzo”. Nossa, quanta dignidade! Arruda não precisou sequer usar os quatro adjetivos que conhece: a nobreza do ínclito Beltrão fala por si e é mais forte que mil imagens.
15/4 Segurança. O promotor Paulo Castilho vai recepcionar a delegação do Sport hoje no Parque Antarctica. Segundo ele, o ônibus dos pernambucanos virá com um promotor e um juiz do Estado. Opa, deixou escapar trabalho de novo! Aí tem…
15/4 Direito. O Procon-SP informa que os torcedores que se sentirem lesados pela impressão de horário errado nos ingressos do jogo entre Palmeiras e Sport poderão acionar o clube por danos morais. Ah, claro, porque se Arruda não avisa… É que o dia era fraco. Apenas a informação jornalística acima (a terceira em dezenas) e isto aqui embaixo…
15/4 Dividida. “Quero ver a fidalguia do Belluzzo. Se ele der 30% da segurança que demos para ele, está bom” Do vice de futebol do Sport, GUILHERME BELTRÃO , sobre o presidente palmeirense, Luiz Gonzaga Belluzzo, oferecer segurança aos pernambucanos no jogo de hoje no Parque Antarctica … que veio no rodapé, na dividida. Valente, esse Beltrão! Se o Palmeiras tivesse um só desses dirigentes, a esta altura estou certo de que ele estaria revoltado!
14/4 Pressão. O diretor financeiro do Palmeiras, Fábio Raiola, diz ter recebido ligação do Procon sobre falha na impressão dos bilhetes para o jogo de amanhã, contra o Sport. Nos ingressos, a partida foi marcada para as 21h50. O horário correto é 19h45. Ahá, eu sabia! Arruda sequer havia ido ao Procon, como sugere a nota acima, do dia seguinte. O homem é incapaz de trabalhar: para quê, se temos Raioli? Quanto tempo levará para que Raioli seja absorvido pelo anonimato revoltado de algum grupo homogêneo e eminentemente pardo?
14/4 Transição. Segundo Raiola, houve um problema nos controles que eram feitos pela BWA com a mudança para a empresa atual, a Outplan. “Em um ou dois jogos, tudo estará normal”, assegura. Deve ser mentira, Arruda. Deve ser mentira. Faça como o Lula: acorde fulo e ligue para o Serra. Ele está por dentro desse assunto, também.
13/4 Sem preferência. A diretoria do Real Madrid pediu a Traffic que lhe fizesse uma carta dando ao clube espanhol preferência para contratar Keirrison. A empresa parceira do Palmeiras se recusou a redigir o documento. Traffic malvada! Agora, digam-me, de onde saem essas pérolas? Desafio quem quer que seja a oferecer qualquer mínimo indício testemunhal, material ou documental de que a nota possua sequer cheiro de fundamento. Setores importantes da Folha garantem-me tratar-se de palhaçada.
13/4 Cravo e ferradura. Cartolas palmeirenses avaliam que o técnico Vanderlei Luxemburgo agiu certo ao cobrar mais concentração do atacante Keirrison, entusiasmado com possíveis propostas da Europa. Mas que errou ao fazer isso publicamente. As vozes que Arruda ouve coincidem espantosamente com o senso comum de botequim que impregna a atmosfera de redações esportivas. Ele não precisa falar com dirigente nenhum para repetir o que a patota diz. Além de Rainha de Copas, Arruda é a Rainha de Cópias. Oxalá não se torne a Rainha de Cócoras.
12/4 Pacificador. Do presidente palmeirense, Luiz Gonzaga Belluzzo, sobre a briga entre São Paulo e Corinthians: “Temos que brigar só dentro de campo. Isso [a briga nos bastidores] não é inteligente. Temos que acertar os ponteiros para ganhar mais dinheiro”. EU NÃO ACREDITO! UMA NOTA POSITIVA! A PRIMEIRA, NO 5º DIA DE UM MÊS INTEIRO E NUM TOTAL DE 68! PA-RA-BÉNS, ARRUDA! PA-RA-BÉNS!
12/4 Não é assim. A diretoria do Palmeiras diz que não pagará R$ 30 mil aos atletas pela vitória contra o Sport, como alegam cartolas. Conta que o prêmio já havia sido combinado no início do ano. Agora está claro que Arruda utiliza seus genéricos sem o mais mínimo cirtério: os cartolas desta nota não são, evidentemente, os mesmos que na outra poderiam ser diretores. Nesse caso, por que não ouvir também os cartolas que diziam que o prêmio já estava estipulado de antemão? Porque, tanto quanto o que foi feito, não seria bem jornalismo, e Arruda não quer saber de jornalismo: ele veio para confundir. Entre duas versões acerca de nada, ele sempre prefere a que insinue ponto negativo. Sempre. Sempre. Sempre. E acabou.
11/4 Presa ferida. Na volta do Palmeiras de Recife, a discussão entre cartolas, membros da comissão técnica e Vanderlei Luxemburgo era a de que o Santos entrará em campo hoje esfacelado pelos problemas internos. Além da denúncia sobre suposto suborno ao ponte-pretano Jean, avaliam que o clima no grupo não é dos melhores. Os três principais atletas santistas passam por problemas. Fábio Costa vive drama pessoal, Neymar está jogando com dedo do pé fissurado, e Kléber Pereira está revoltado com o treinador Vagner Mancini. Novamente: no Palmeiras, mesmo a alegria é envenenada pela soberba. Não há êxito sem contrapartida da esperança de um fracasso, donde é sempre gostoso encaixar qualquer elemento deletério para futura referência. Essa gente do Painel não tem graça em nenhum sentido.
11/4 Quem poupa… Existe corrente no Palmeiras que defende a escalação de um time misto hoje na Vila Belmiro. A alegação é que o clube deve priorizar a partida de quarta-feira, contra o Sport, pela Libertadores. Luxemburgo se mostrou simpático à ideia. O presidente palmeirense, Luiz Gonzaga Belluzzo, apesar de achar difícil priorizar uma competição, diz que acatará decisão de Luxemburgo se escalar reservas. “Eu apoio. Ganhamos o jogo contra o Sport nos últimos 30 dias, nos preparamos psicologicamente”, afirmou. Favor verificar o comentário acima.
10/4 Rastro. Entre dirigentes santistas, é cada vez maior a suspeita de que quem iniciou a denúncia foi gente do próprio Palmeiras com o objetivo de desestabilizar o time. Essa denúncia é aquela de suborno do zagueiro Jean. Vem de outra nota, que sequer envolvia o Palmeiras. Notem que a Portuguesa deu a cara inteira para bater, duas faces à mostra, e, diferentemente do jornalista Arruda, o fez dando nome aos bois e assumindo os riscos mais bocós – mas nem essa dignidade ingênua de toda estupidez é digna de respeito para alguém como Arruda. Mais uma vez: fontes próximas às pessoas que prepararam as mais recentes injeções de Arruda garantem que ele inventou essa história toda.
10/4 Voo da alegria. A viagem do Palmeiras a Recife custou, só com o fretamento do avião, quase R$ 200 mil, pagos por torcedores remidos. Eles, porém, não embarcaram, por causa do tamanho da delegação levada por Vanderlei Luxemburgo: 23 da comissão técnica e 25 jogadores. Nota meramente protocolar apimentada pela terminologia depreciativa “vôo da alegria”: conforme o constatado, Arruda não se permite um dia sem notas negativas em relação ao Palmeiras. Dessa vez, mal e mal se entende quem ele quis cutucar. Se lhe perguntarem, hoje, o que quis dizer, estou certo de já terá esquecido.
9/4 Bichão. Pessoa que esteve no encontro entre Luiz Gonzaga Belluzzo e o governador pernambucano, Eduardo Campos, conta que o palmeirense deixou escapar que o prêmio pela vitória contra o Sport seria de R$ 30 mil. Belluzo é mesmo um otário, soberbo, falastrão. Que revoltante, hein? Ainda bem que havia mais uma “pessoa” certa no lugar certo, na hora certa e ouvindo a coisa certa. Como alguém consegue escrever desse jeito durante tanto tempo? Estou enjoado só de ler as notas de um único mês referentes a um único time. Começo a ter pena de Arruda. Mais tarde, quando puderem, voltem às notas do dia 12.
8/4 Por segurança. Irritada com as insinuações do Sport, que queria um árbitro estrangeiro para o jogo com o Palmeiras hoje, a Comissão de Arbitragem da CBF enviou carta à Conmebol, junto com o Palmeiras, manifestando a insatisfação com os pernambucanos e pedindo a escalação de um juiz de fora para não despertar suspeitas. No documento, os palmeirenses lembraram até da pressão sofrida pelo árbitro na final da Copa do Brasil em que o Sport bateu o Corinthians. Cartolas alviverdes declaram que o arquirrival foi prejudicado. Ô, povo irritadiço, hein? Revoltado e irritadiço. Não, essa nota, isolada, não é má. Mas posicionada no quadro geral, é impossível dissociá-la das notas dos dias 27 e 29. Sempre que pôde, Arruda deu o colorido habitual aos desdobramentos de um fato que não pode ser negado: a solicitação, por parte do Sport, de árbitro estrangeiro, e as reclamações do Sport em relação a arbitragens estrangeiras – em vez de ressaltar o clube pela incongruência, coisa fácil em duas notas curtas e sérias, Arruda preferiu dizer que o Sport “descobrira” manipulações de “bastidores da Libertadores”. Coisa, aliás, que já começa na nota seguinte, aqui onde…
8/4 Urgente. Cartolas da Conmebol dizem que palmeirenses articulam com pressa encontro entre os presidentes Luiz Gonzaga Belluzzo e Nicolas Leoz. Tentaram isso nos últimos dez dias, antes do jogo, mas não foi possível por falta de tempo de ambos. … ficamos sabendo que não é de hoje que o Palmeiras vem tentando fazer sujeirada.
8/4 Diplomacia. O presidente palmeirense deve ir à Ilha do Retiro acompanhado do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB). Foi com ele que Belluzzo armou a estratégia para acalmar os ânimos entre os clubes. Arre! Maledicência 64, notas neutras 03. Faltam dois dias. Força, Arruda!
8/4 Da terra. Com a ajuda do governador, o palmeirense, dias antes do confronto, deu entrevistas a órgãos de imprensa e falou de sua ligação com o Estado. Ele é casado com uma pernambucana. Note-se apenas que, sem a ajuda do governador, Beluzzo não poderia revelar a regionalidade secreta de sua mulher. Não é uma nota negativa, é verdade. É apenas de uma estupidez fantástica.
7/4 Executivo. O Palmeiras contratou o economista Eduardo Novo, que tem pós-doutorado e já foi professor visitante na Universidade de Princeton (EUA), para ser o gerente financeiro do clube. O quê? Mais uma? Não acredito! Redatores garantem, revoltados, que esta nota não foi escrita por Arruda, e sim por Felipe Giocondo, vândalo contumaz e assassino de honras famosíssimo. Ele invadiu a gráfica da Folha, passou corretor de textos em todos os exemplares e colou tirinhas -mimeografadas, aliás – com esse texto em cada um deles. Claro que não poderia fazer tudo isso sozinho. Serra o ajudou. Hei, Jennifer, calma! Eu sou casado! Que dedo é esse aí, minha filha? Que coisa. Eu, hein?

E não, não sou paranóico – antes que alguém ache necessário ser engraçadinho o suficiente para dizer “E por que o Arruda faria isso, qual o interesse do rapaz numa coisa dessas?”. Não sei. Isso é trabalho para jornalistas, que vivem de coisas assim. O que sei é que, no mesmo período analisado, Santos, Corinthians e especialmente o São Paulo não sofreram com tantos problemas diários pelos quais todos os clubes socias passam, nem muito menos com a sandice de seus dirigentes Góluns. Pelo contrário.

Em 17 de abril, os jogadores do São Paulo beneficiaram-se pela Inspiração. Muricy Ramalho pediu a seus atletas para “esquecerem” Rogério. Na volta da Colômbia, porém, ao menos três jogadores liam, no avião, o livro recém-lançado pelo goleiro são-paulino. Assim como o Sport, estiveram procupados com safadezas e, em 16 de abril, disseram Sem essa. A diretoria do São Paulo diz que será mais uma prova de complô contra o clube se o juiz Cléber Wellington Abade for escolhido para o clássico com o Corinthians. Fazem isso porque são unidos e um ao outro dão Força. Após sua operação anteontem em São Paulo, Rogério falou por telefone com seu substituto, Bosco, que está com o time na Colômbia e representou os colegas, em 15 de abril. Generosos, em 12 daquele mês retribuíram à maldade com tratamento contrário ao que se poderia chamar, sem ironia, de Recíproca. O São Paulo afirma que o tratamento aos corintianos no Morumbi será melhor. “Eles poderão ficar num camarote isolado, com poltronas de couro, TV de LCD e serviço de bar com garçons”, afirma Cunha. Pudera, diante de tanto Olho gordo. Alguns amigos do goleiro são-paulino diziam ontem que as falhas dele nos últimos dois jogos eram coisa de “corintiano invejoso”, principalmente pelo fato de ele ter lançado um livro de seus 15 anos de carreira, no dia 11 de abril.

E por aí foi, e por aí vai, e por aí irá.

Trabalho sério, o do Arruda. Trabalho sério, hein?

Que coisa.

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O Blog do Meu Saco está de volta, agora no WordPress. A mudança era necessária, e os motivos são tão do conhecimento geral, sobretudo daqueles que trabalham com blogues, que me dispenso de chateá-los com assunto assim batido.

As apresentações, por incrível que pareça (ao menos para mim), não são mais tão necessárias quanto seria de se esperar quando, com mais de um aniversário, o endereço antigo deste blog contava com algumas dezenas de posts comentados por meia dúzia de gatos pingados – para ser honesto, menos que isso.

Um pequeno empurrão do ora hibernante – jamais falecido, para mim ao menos – Observatório Verde foi o suficiente para tirar este Saco Cheio da escuridão e levá-lo, rude e determinado, à penumbra de onde nem o mais completo abandono forçado – jamais relaxo – pôde expulsá-lo até o momento.

E ainda houve o “Literário”, do Comunique-se, que rendeu – e ainda rende – repercussão no rádio. E os muitos sítios da Mídia Palestrina que se tornaram amigos próximos, como o Forza do Barneschi. Isso para não falar dos que já o eram, como o Forza do Ademir. E o Cruz de Savóia, esse ciclone alucinado gerado pelo meu irmão e que hoje atrai mais de 100.000 leitores por mês. E mesmo alguns outros blogs e sites alheios ao tema central do Meu Saco, como os de Emerson Gonçalves e Nei Duclós. E mais aqueles que eu, desgraçadamente, tenha esquecido agora, sem por isso deixar de estar em dívida também com eles.

Foi pouca coisa, mas foi algo. Acho que não vai ser difícil retomar de onde paramos, mas isso não faz menos necessário qualquer intróito. Miudinho que seja.

Portanto, àqueles poucos que já me conhecem e queiram refrescar a memória, àqueles inumeráveis que não fazem idéia de onde vieram parar, eis o lembrete: este é o Blog do Meu Saco. Ele está de volta. E, como não pretende confundir ninguém, passa aos avisos devidos:

1. O Blog do Meu Saco existe para espezinhar a imprensa futebolística de um modo geral e sua crônica escrita de um modo especial; é assim pois seu titular constatou a baixeza – técnica, estética, moral, espiritual – que dominou um setor que lhe é tão caro e que precisa e pode ser reparado; é assim não porque seu titular se julgue acima dos erros humanos – demasiadamente humanos, para citar um filósofo que este Saco prefere como escritor – e portador de uma missão elevada, mas porque se julga em condições de olhar, do alto deste montículo, o vale miserável de onde provém toda essa fedentina. E porque julga a tarefa de ajudar a emendar a cobertura do futebol, no Brasil, tão modesta quanto sua própria – e microscópica, aliás – estatura;

2. O Blog do Meu Saco é freqüentemente prolixo e detesta vagabundos, desatentos e congêneres, brilhantes o quanto lhes torne o verniz barato. Se você não pode com textos longos ou complexos e, pior ainda, mente para si mesmo dizendo que não precisa com eles poder, faça a mim e a si o favor de ir ao blog de Juca Kfouri, e passar bem;

3. O Blog do Meu Saco tem o indelicado hábito de submeter a argumentação alheia a um exame de validade formal prévio, anterior à discussão dos méritos, e, para isso, lança mão de recursos os mais divertidos;

4. Às vezes, o Blog do Meu Saco é boca suja, de tempos em tempos, cafajeste; em hipótese alguma cede à correição política, que despreza, mas não permite que por isso se aproveitem de seu espírito libertário para a incitação ao crime, ou para o exercício de racismo – machismo pode, porque não consigo me privar das delícias do feminismo – ou para qualquer outra boçalidade do gênero. Incluam, neste rol de proibições, as ofensas gratuitas – e portanto não meramente jocosas – à preferência clubística de quem quer que seja, seja ela qual for;

5. O Blog do Meu Saco não permite escarnecimento;

6. O Blog do Meu Saco não suporta e nem perdoa cagação de regra sem oferecimento de dados – o direito de opinar só existe em correspondência ao dever de estudar;

7. O Blog do Meu Saco, que não respeita o mais recente acordo ortográfico e que, quando o vê em versão física, material, cospe-lhe em cima, preza o idioma pátrio (ainda que compreenda e pratique toda sorte de liberdade literária e mesmo de estilo, desde que proposital – porque a liberdade ou é proposital, ou não é liberdade) e pede aos seus leitores que, por gentileza, quando surgir a oportunidade – e ela sempre surge – o corrijam com, no mínimo, o mesmo rigor com que ele sapateia sobre a cabeça de suas vítimas prediletas;

8. O Blog do Meu Saco apóia a Seleção Brasileira porque aquela camisa é a última bandeira deste país – no sentido de que é o último símbolo capaz de reunir sob si a Nação, ainda que só por um mês a cada quatro anos – não importam quais os homens que nelas estejam enfiados, e muitíssimo menos sob as ordens de quem;

9. O Blog do Meu Saco não desrespeita o passado e tem na mais baixa conta quem o desrespeite;

10. O Blog do Meu Saco leva tal nome em homenagem àquele órgão que, metaforicamente entendido, armazena nossos desgostos até o último limite, qual seja, até o dia em que já é irreprimível o desejo de – como direi? – livrarmos-nos deles, transmutando-os em algo de bom os bons, e de mau os covardes. A intenção é publicar sempre que possível, mas desta feita comprometo-me a publicar ao menos um post por semana, sempre às segundas-feiras, tirantes os períodos de férias.

O Blog do Meu Saco está de volta.

E não está nada contente.

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