Nesta semana teremos dois posts, e não um. Para compensar o atraso (o dia certo é segunda) e porque este aqui, por mais sintomático que seja, não é importante diante do momento pelo qual estamos passando. É que, e os senhores verão que não estou mentindo, a coisa é de fazer coçar os dedos.

Vejam lá: no começo, cheguei a pensar que fosse algo pontual. Depois, como os problemas de instabilidade são mais comuns no “Além do Jogo” do que em qualquer outro blog rodando na mesma plataforma, desconfiei que o autor andasse sendo prejudicado por más condições de trabalho. Após algumas semanas, começo a acreditar que Damato é apenas um porcalhão.

Os grifos são todos meus. Esta é de hoje:

O que diabos quer dizer É mais porcaria ayé do que o próprio clube. Clube mais tradicional de Portugal, o Benfica venceu apenas , que só ganhou um título português nos últimos dez anos.?

Afora a agressão gratuita dirigida à instituição – o profissional encontrou bolas para isso nas dimensões do Oceano Atlântico, mas sua vontade (ao menos segundo se desconfia pelo tom geral com que o blog é conduzido) era poder fazer o mesmo por aqui –, coisa habitual no jornalismo damatiano, há de se notar os erros de digitação e espaçamento. Alguém dirá: e daí, que frescura! Que chatice!

E seria mesmo, não fosse o fato de que quase todos os posts de “Além do Jogo” apresentarem estes e outros problemas, sistematicamente. A cada dia que passa, a leitura vai se tornando mais e mais dolorida. Afora isso, lembrem-se: Damato é da turma dos críticos preparadíssimos sapienciais. Não cuida do próprio repositório de textos opinativos, muito flexível no que diz respeito às correções de toda ordem, mas é dos que acha que pode viver de apontar os dedinhos pra tudo que é canto. E vive disso. E vive, portanto, de desrespeitar os mais mínimos requisitos de seu ofício.

É sério. Tomemos alguns poucos dias como exemplo.

Em 17 de maio, às 23:07, outro exemplo de digitação atenta:

No jogo do Mineirão, o árbitro não Wilson Seneme não deu um pênalti claro a favor do Grêmio e deu outro muito menos evidente a favor do Atlético

Ainda em 17 de maio, às 23:02, um aposto sui generis – e isto já é bem mais grave:

Sem contar, outras grandes intervenções, contra André Santos e Elias.

Em 16 de maio, às 21:42, esta Senhora Demonstração de domínio da ferramenta. O post começa assim:

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Na seqüência, um show de vírgulas – e da ausência delas, afinal – bem colocadas, períodos claros e descrições precisas:

E mais Bruno fez grandes defesas, evitando o pior.

Mas é fato que também um lance na outra área em que o jogador abriu uma asa ao virar de costas.

… o técnico Silas – aquele que surgiu com Muller cresceu, chegou à seleção e foi camisa 10 na Copa de 1990 – e praticamente não foi notado.

No mesmo dia, às 21:18, em outro post aberto por código, a pressa lhe fez comer preposições e letras:

E Seneme é reconhecidamente um melhores árbitros do Brasil.

…Herrera se colocou em impedimento para receber o cruamento

Em 16 de maio, às 17:48, a digitação (espero) prejudicou-lhe a concordância, e qualquer outra coisa prejudicou-lhe a concentração:

Os donos dos saloons vai proteger os espelhos. O pinanistapôs a tabuleta pedido que não se atire nele

Um dia antes, em 14 de maio, às 4:52, um sonado Damato trocou a supressão de caracteres devidos pela inclusão de indevidos (E dcomo quase), o gênero de um substantivo (No intervalo, a execução do hino foi exibido) e, para encerrar, atacou outra vez a concordância verbal (As imagens mostrava apenas).

E já havia começado o dia comendo palavras inteiras – só um verbinho à toa, é verdade – quando nos disse que se nenhum brasileiro chegasse às finais da Libertadores, vai muito difícil aguentar o mala do Hugo Chávez.

No dia 13, às 20:54, Damato saiu-se com um “Histoircamente” . Depois, graças ao tique de descer a lenha na fraqueza dos clubes brasileiros, disse que Ecclestone foi um tremendo traidor porque usou o apoio dos clubes em causa própria, querendo falar, é claro, ou de equipes de F1, ou de construtores de carros. Isso tudo porque Unidos as escuderias, sabe-se lá o que poderia acontecer. E o jornalista ainda encontrou tempo para fechar a coisa com mais esta lição de como tratar a vírgula, utilizando-a para separar o sujeito do predicado: Mas, a cada dia, a chance disso, diminui um pouquinho. No mesmo dia 13, já havia abusado da pobrezinha (se bem que sob outra modalidade) neste inexplicável O goleiro do Vitória até teve de jogar com meiões com a sigla, CRVG, do Vasco. Nada parece capaz de detê-lo. Nada.

Não é nada, não é nada, já é alguma coisa. Portanto, antes de tachar-me de chato pense um pouco nisso: não se tratam de erros pontuais. O blog é todinho assim – descuidado na forma, no visual e – por que não? – em tudo o mais. Afinal, se Marcelo dá tal atenção ao seu mais pessoal material, imagino em que estado escute suas fontes. Ou faça suas pesquisas. Ou confira datas, ou cruze informações, ou cheque fatos. Ou pratique todo o resto de seu jornalismo. Sim, porque se fôssemos apanhá-lo pelo conteúdo, bem…

Juro-lhes, a coisa não ficaria melhor.

Ainda esta semana, algo mais substancial. Até lá.

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Uma graça, esse Marcelo Damato. Acompanhem aqui. Vejam quanto – como direi? – espírito:

O primeiro milagre de são Luiz Gonzaga

por Marcelo Damato

Aquele que foi coroado o Messias alviverde, no seu primeiro dia de governo, perpetrou o seu primeiro milagre no Parque Antarctica.

Lenny, que não marcava um gol havia quase 700 dias, desencantou sob os olhares de Luiz Gonzaga Belluzzo, e comemorou sob a forte chuva. Parecia que até Deus ficou emocionado com esse milagre. E o Palmeiras, mesmo com um time misto, goleou o Marília por 3 a 0.

Mas como no futebol não há milagre que seja puramente santo, tão logo Lenny estufou as redes, surgiu uma tempestade elétrica vinda dos céus que derrubou a minha Net, a minha banda larga, por infinitas horas, até estas 3h da manhã.

E não pude ver, apenas ouvir, o final da partida.

Mas Belluzzo precisa se acautelar. São Luiz Gonzaga, o Patrono da Juventude, foi tão santo quanto efêmero. Morreu aos 23 anos, infectado por um moribundo a quem carregou nas costas.

OK, Damato estava louco para fazer a piada – e, com ela, manter certo tom em relação a certos assuntos. Só que, se a exemplo de muitos de seus leitores que se manifestaram em seu blog, alguém mais susceptível resolver interpretar a última frase do texto, não vai precisar se esforçar para notar que, em outras palavras, Damato chamou a Sociedade Esportiva Palmeiras de “moribundo infecto”. Sem querer ou não, querendo atingir Luxemburgo ou não, é impossível não admitir o clube no rol de possibilidades oferecidas pelo texto. Não me venham com rodeios, por favor. Metáforas são para isso mesmo.

Quem, por amor à literalidade – ou à pollianice – quiser se arriscar a dizer que Damato não disse que o Palmeiras é tal qual um “moribundo infecto” – seja lá o que isso signifique para esse sujeito – deverá sustentar que o doce jornalista talvez acredite, com toda a força de seu coração fofo, que Beluzzo é mesmo o jesuíta São Luiz Gonzaga, capaz de operar milagres como o de aturar, com celestial serenidade, gente que escreve “moribundo infecto” e ainda acha que está sendo sutil.

Depois, essa turminha ponderada, que vive das letras e de suas nuances, vem e nos pede respeito e educação.

Que gracinha, né?