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O objetivo deste blog é, na medida do possível, criticar a cobertura esportiva brasileira. Mas há quem não queira deixar espaço para ninguém. Há quem queira falar jaca sozinho, egoisticamente. Juca Kfouri não admite que ninguém mais faça mais papel de maluco do que ele. É quase vaidade, senhores. É quase orgulho. Aqui. Nem pude prestar atenção no mérito. Ao que tudo indica, Kfouri está bravo com o Goiás por conta do preço dos ingressos para a decisão do Brasileirão. Daí, escreveu isto:

“O negócio é mamar no Bezerrão”

“Adivinhe em que país do mundo a decisão do campeonato de futebol será disputada longe das cidades dos dois times em disputa e com ingressos a 400 reais?

É claro que é no Brasil.

Goiás e São Paulo vão jogar no Bezerrão, no DF, como se sabe.

E como lá só cabem 20 mil torcedores, o Goiás, mandante do jogo, mas obrigado pela CBF a jogar onde não queria, resolveu diminuir o prejuízo e salgar o preço, certo de que só os são-paulinos da Capital Federal vão querer ir ao jogo.

Generosa, a direção do Goiás concede cobrar 200 reais a quem levar uma muda de roupa ou um quilo de mantimentos para as vítimas das enchentes em Santa Catarina.

A CBF, que criou o caso, e o São Paulo não gostaram da história.

E vamos ver shows de demagogia nas próximas horas, em nome dos interesses do povo, da economia popular e quetais.

O fato é que o estádio de Gama tem tudo a ver com isso, porque em que lugar do mundo se pode mamar melhor do que num Bezerrão?”

Comentário para o Jornal da CBN desta terça-feira, 2 de dezembro de 2008.

A crônica termina com uma pergunta. Perguntas, mesmo quando retóricas, ensejam respostas.

Eu respondo! Eu sei! A resposta é… numa vaca! A vaca, quando o assunto é dar de mamar, oferece melhores condições do que o bezerro, seja para lactentes, seja para meros amantes do leite e de seus derivados – dentre os quais, é verdade, me incluo (entre os amantes, não entre os derivados)! Ela tem tetas que, para o pasmo do colunista, podem ser ordenhadas! Cabras também! Aliás, qualquer fêmea mamífera em condições de procriar sair-se-á melhor do que qualquer bezerro, grande o quanto seja o bichinho, na tarefa de oferecer-nos leite! Baleias azuis ou mesmo mulheres (sim, José Carlos, mulheres amamentam suas crias e até maoístas – ou ex-maoístas, afinal – mamaram um dia) darão conta do recado com mais naturalidade do que jovens tourinhos. Dizem que a coisa pode desandar porque, noves fora, estamos falando de gordura animal. Mas (aposto) é melhor beber leite, integral o quanto for, do que líquidos brancos e espessos engendrados nas entranhas dum jovem macho e obtidos sob sabe-se lá qual expediente que, assemelhado o quanto seja à ancestral ordenha, talvez não pareça processo muito – como direi? – familiar aos nossos produtores tradicionais e, em regra, tradicionalistas. Eta interiorzão atrasado, hein, Juca? Os caras ainda estão na época em que leite se tirava era da vaca! Malditos reacionários!

Ou Kfouri não sabe de onde vem o leite, ou anda confundindo órgãos, glândulas, secreções, fluidos, consistências, odores e – valha-me Deus – quiçá sabores, vai saber. Imagino-o nas manhãs paulistanas, estranhando o desejum e chamando a patroa entre muitas caretinhas muito sabidinhas:

_ Amor, que porra de leite é esse que você me serviu?

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