Luto

22/07/2009

Caríssimos,

Hoje, faz um ano que passou uma das últimas figuras que emprestavam brilho, cultura e humanidade ao jornalismo esportivo brasileiro: passou Luis Fernando Bindi.

Este post era para anunciar a volta ao Literário, comentar as barbaridades de ontem, na ESPN Brasil – dessas de ressuscitar blog – e outras providências, como falar de Muricy no Palmeiras (ficou bom para todo o mundo?).

Fica para quinta. Hoje é luto.

Até lá.

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Esse assunto é delicado, mas não deveria ser. Para falar a verdade, não é sequer assunto. Prova-se tal afirmação com muita facilidade (se bem que não em pouco tempo, como se notará pela extensão deste post, mais de 18 mil palavras), recorrendo-se às alegorias menos complexas, mais diretas e de forma alguma exigentes. Experimentem. Façam o teste do ET.

Lembrem-se dos ETs. De qualquer ET. Se os oferecidos no largo catálogo da ficção científica não lhes parecerem bons o suficiente, não se acanhem. Inventem um. Qualquer um.

Se qualquer alienígena – com a exceção talvez de Alf, que era teimoso – descesse hoje ao nosso estimado planeta e, na ausência de outro propósito mais relevante, decidisse analisar o campeonato brasileiro de futebol, verificaria que ele começou a ser disputado em 1959 com o nome de Taça Brasil. Que foi remodelado mediante a ampliação do Roberto Gomes Pedrosa (no popular, Rio-São Paulo), de que herdou o nome em 67. Que naquele 67, primeiro ano do então novo nome, hoje velho, foi disputado duas vezes – como o carioca de 79 ou todos os argentinos entre 67 a 85, para lembrar de dois casos muito parecidos –, com dois nomes diferentes – primeiro sob o então velho e hoje muito velho nome e depois sob o então novo e hoje já velhinho nome. Que o mesmo ocorreu em 68. Que, em 70, veio a atender pelo apelido de “Taça de Prata”. E que foi rebatizado outra vez em 71, quando se decidiu chamá-lo “Campeonato Brasileiro”. E de novo em 87, quando respondeu por Copa União. Que voltaria ao nome de 71 em 90. Que, em 2000, e somente em 2000, chamou-se Copa João Havelange, e que desde de 2001 assumiu de vez – mas ninguém pode garantir que isso é sério e definitivo – a alcunha (ou ALIAS, já que a analogia com a lógica de programação parece-me, aqui, irresistível) de Campeonato Brasileiro. O intrépido investigador poderia até atordoar-se diante de nossa fúria onomástica, mas não haveria de se deixar iludir por ela. Chacoalharia as enormes antenas sobre a cabeçorra e tocaria o estudo adiante.

Sim, tocaria adiante. Porque o alienígena, se foi capaz de chegar à Terra, é capaz de compreender que o nome de determinado objeto pode ser modificado sem que se altere a essência desse mesmo objeto, e que essa possibilidade é mesmo a mais freqüente. Portanto, só o que ele notaria é a seqüência de mais de 50 campeonatos disputados – sob os mais variados critérios, formatos e nomes, todos itens acidentais – entre as principais equipes do país e no intuito de nomear o campeão nacional. Dá até para brincar de Corvo. E só isso, e nada mais.

O ET não poderia levar em conta o formato de disputa, porque ele é indubitavelmente acidental. O formato passou a se repetir apenas desde 2003. E a partir de 2005, para complicar, havia menos times do que no biênio precedente. E, depois, menos ainda.

O ET não poderia levar em conta o número de partidas para se chegar ao título, e muito menos o número de participantes em cada disputa, porque ambos os dados são escandalosamente acidentais: em 79 (graças a um dos inúmeros regulamentos malucos e critérios malucos que ordenaram a coisa), caso o Palmeiras tivesse sido campeão do Campeonato Brasileiro, teria precisado de apenas sete pelejas estritamente ligadas ao torneio – menos jogos que os oito que Cruzeiro disputou para vencer a Taça Brasil de 66 (campeonato que, aliás, contou com 22 participantes diante dos, por exemplo, 16 da Copa União de 87).

O ET não poderia levar em conta a importância que os competidores emprestaram, ao longo dos anos, à competição, porque perceberia aí outro dado pornograficamente acidental: durante muito tempo, ganhar o torneio estadual foi o suficiente para salvar o ano de qualquer torcida, e o torneio nacional somente atingiu o prestígio de que hoje goza desde algo em torno de 1990 – nosso ET, é certo, não encontraria motivos para descartar cerca de 30 campeonatos baseando-se nas variações de humor dos postulantes ao título.

Mais ainda. O fato de que determinada versão da competição que hoje chamamos de Campeonato Brasileiro, como a Taça Brasil, tenha sido disputada num formato que, 20 anos depois, seria semelhante ao adotado para outro torneio nacional disputado até hoje, a Copa do Brasil, não poderia confundir nenhum ET – por maior que fosse a tentação proporcionada pelas coincidências das formas. Formas idênticas – o que sequer chega a ser o caso – não implicam identidade entre objetos distintos. A Copa do Brasil não existia ao tempo em que chamávamos de Taça Brasil o que hoje chamamos de Brasileirão, e o que hoje chamamos de Brasileirão continuou a existir depois que a Copa do Brasil foi criada. Não há, entre Copa do Brasil e Taça Brasil, sequer alguma similitude mais mínima e banal. Algo como o paralelismo entre a Taça e o Robertão semelhante ao que há entre o Brasileirão e a Copa: se houvesse, a Taça Brasil continuaria a ser disputada após o surgimento do Robertão, o que não aconteceu porque o Robertão, no fundo, era ela ainda e terminou por engoli-la em apenas dois anos; apenas com outro nome e com outro formato mas, essencialmente, o campeonato destinado a nomear o campeão nacional. Mesmo tendo surgido de outro torneio, a nova criatura destinava-se a absorver muito mais a Taça Brasil do que sua matriz, o Rio-São Paulo. E a absorveu mesmo: em 69, já não havia mais Taça Brasil tanto quanto não havia mais Rio-São Paulo. O que resta é que o argumento do formato, em qualquer de suas apresentações, causaria apenas espanto ao extraterreno interlocutor. “Como esta espécie capaz de visitar seu satélite ainda gera espécimes capazes de tentar nos convencer assim?”

Ah, mas e a abrangência nacional do atual campeonato? Hoje ele é muito mais “Brasileirão”, né não?

Né não.

Ainda que isso jamais tenha correspondido a noções precisas de justiça ou garantia de qualidade técnica, a Taça Brasil e o Robertão podiam ser bastante mais nacionais que nossos campeonatos sudestinos temperados com dois ou três sulistas, um ou dois nordestinos e o Goiás de sempre. E, entre estes nossos “Brasileirões” e aqueles de nossos avós, há os “Brasileirões” em que aonde a Arena ia mal, metia-se um time no Nacional – o que depõe sem dúvida muito mais contra os campeonatos pós 71 do que contra os disputados entre 59 e 70.

Ah, mas o Brasileiro, hoje, leva os times à Libertadores. Pois é, e era para isso que serviam – também – Taças e Robertões.

Ah, mas e o rebaixamento, e as divisões de acesso? Bem, nunca foram coisa muito séria, e o respeito às regras de acesso e descenso, dentro de padrões mais ou menos seguros, tem menos idade que meu bourbon predileto[1].

Ah, mas a questão não tem importância. O que você quer é puxar a sardinha para seu lado, porque é palmeirense. Sei. O argumento contrário, nos mesmos termos, não vale meio níquel a mais – mas também não o vale a menos. A não ser pelo fato de que, à diferença do meu ponto de vista, o de meus contraditores ocasiona certas perguntas que parecerão, no mínimo, indelicadas. A elas.

É admissível que os títulos com os quais o Santos habilitou-se para a caminhada ao bicampeonato mundial possam ser diferenciados, sob qualquer ângulo, dos campeonatos organizados a partir de 71? Mesmo diante do que aconteceu, por exemplo, em 87?

Será?

Lembrem-se de 87 e digam-me por que cargas d’água aquele ano é diferente de – deixem-me ver – 68, por exemplo de novo. Em 68 foram 16 times de sete estados, duas fases, 24 renhidas rodadas e um campeão brasileiro legítimo e cristalino que se habilitou a nos representar na Libertadores seguinte – para a qual, vejam que coisa, abdicamos até de enviar representante, o que denota a importância verdadeiramente térrea que dávamos ao título continental.

E, comparativamente, como foi 87? Aos incautos: a comparação é necessária, sim. Não sei se todos ainda se lembram, mas a feia, chata e boba comparação é o meio pelo qual se pode – coisa espantosa – comparar os objetos comparáveis – como os campeonatos nacionais de futebol, vejam só – e, dentre outras coisas, apontar-lhes as semelhanças e diferenças. Não é difícil, e chega a ser recomendável. Para falar a verdade, no presente caso não há outro jeito de resolver o problema. Não tenhamos, portanto, medo de comparar. Comparemos, amiguinhos, comparemos. Adelante.

1968, já vimos como foi. E 1987, o que tem de diferente em relação àquele a não ser o fato de que veio depois? Será muito desagradável frisar que mesmo essa diferença, parece-me – posso estar enganado –, é perfeitamente desculpável diante do fato de que dois anos não podem acontecer no mesmo ano, sobretudo quando separados por 18 outros?

Bom, 87 ficou assim: segundo a CBF, o campeão daquele ano é o Sport, ungido por final decidida em penais cuja conclusão jamais aconteceu, ao passo que para os 13 grandes o campeão é o Flamengo, que no entanto não disputou a Libertadores de 88 porque – vejam lá vocês – sequer era o campeão para a entidade que indicava e indica os representantes brasileiros no torneio.

Nota pessoal: para mim, o melhor é reconhecer os títulos de ambos, pois nem Sport, nem Flamengo estão perfeitamente inocentes nessa trama. Nota irônica: disputaram a Copa União 16 times oriundos de sete estados, e seu campeão, o Flamengo, jogou 19 vezes.

Afora as notas, fica a dúvida: por que diabos o Flamengo ou o Sport (ou ambos) é campeão brasileiro de 87, e o Santos não o é em 68?

Já vimos que não pode ser nem pelo nome do torneio, nem pelo formato, nem pela abrangência, nem pela quantidade de participantes, nem pelas importâncias relativa ou absoluta, nem pela dificuldade da disputa, nem pelo número de jogos. Também não creio que seja útil ater-se à sigla que nos ajuda a nos referirmos aos organizadores[2].

Alguém dirá: e daí? Para que mexer nisso, afinal? O que está feito está feito. Eu responderei: ao estudo, camarada. Ao estudo.

Trata-se de nossa História. A de todos nós. Quem deseja livrar-se dela, deixá-la para lá, tomá-la por desimportante, talvez não tenha sempre más intenções – muitas vezes, trata-se apenas de preguiça, ignorância ou burrice mesmo –, mas certamente jamais poderá ter razão justamente num ponto em que estar com a razão é tudo, e abandoná-la é abandonar tudo.

Não fosse o assunto importante, os flamenguistas de antes ou os são-paulinos de hoje não levantariam a grita que levantam a cada vez que se tenta trazer à tona nada mais do que a verdade, lambuzando-se nesse espírito de malandragem que encontra seu mais valioso apoio na ignorância fundamental e endêmica de nossa crônica esportiva.

Por que o garoto santista deve ouvir calado que o Flamengo é cinco vezes campeão brasileiro, e o Santos apenas duas? Por que o pai palmeirense deve passar por falastrão diante de seu filho que vai aos almanaques e lá lê coisas assim: “… o São Paulo é seis vezes campeão brasileiro, o Palmeiras quatro.”? Porque a crônica acha assim mais confortável, ou fácil, ou polido? Alguém aí poderia arrumar apelo mais razoável?

O fato é que nem os formatos, nem a disposição das torcidas ou equipes quanto à disputa, nem a abrangência representativa do torneio, nem o número de participantes, nem o número de jogos, nem a dificuldade ou extensão do percurso necessário ao título, nem as conseqüências das vitórias e das derrotas, enfim, nada referente à essência se presta à identificação de descontinuidade entre os campeonatos. O nome? Ora, compostura, pessoal.

Compostura.

É só isso, e nada mais.

Entretanto, com raríssimas exceções, o que se vê é algo parecido ao que segue abaixo. Da lavra de André Kfouri, cujo trabalho, diga-se, é mais do que bom – tudo o que o jornalista produz é, em regra, bem cuidado: texto, pesquisa, fundamentação lógica. O que torna a coisa pior, porque tão mais grave é o episódio deletério quão mais respeitável é seu protagonista.

Já discordei ou concordei com muito do que li dele, mas nunca antes André Kfouri havia me parecido relaxado ou, o que é mais grave, propenso à orelhada pura e simples – aliás, continuo achando que não seja. Mas que esta foi dose, é difícil negar. Ao caso. Ele em azul, eu interrompendo em verde. No Lance! de 14 de fevereiro deste ano. Está engasgada há meses, portanto. Foi assim:

DEIXEM OS TÍTULOS EM PAZ

por André Kfouri

E aí, também está fazendo um dossiê?

Começamos mal. Gostaria de saber que outra providência os clubes que se julgam injustiçados deveriam tomar que não documentar provas que refutem o que julgam injustiça e, a partir de tal documentação, tentar desfazê-la – o que é possível, ainda, ou as principais colunas do jornal não perderiam tempo com isso. A ironia, assim como está, é gratuita. Melhor seria estudar a documentação oferecida e deixar as gracinhas para depois, se coubessem.

Digamos que, há alguns anos, você ganhou um torneio de ping-bong (é assim que minha filha de 4 anos fala, e eu me recuso a contrariá-la) disputado apenas por quem trabalhava no seu andar. Partidas equilibradíssimas, um torneio que você suou para vencer.

Nos dois anos seguintes, ganhou de novo. Então você é um legítimo tricampeão do torneio de ping-bong do seu andar, a principal competição da empresa entre 2001 e 2003. Feito que não se apaga, está nos livros. Pode sentir orgulho e bater no peito.

E a coisa piora. A Taça Brasil e o Robertão não foram menos abrangentes do que a imensa maioria de suas versões denominadas “Campeonato Brasileiro”, cuja abrangência exagerada, muitas vezes, até desqualificou. A analogia está simplesmente errada. Os “torneios do andar” já eram os campeonatos estaduais. A Taça e o Robertão eram tanto do “prédio todo” quanto o foi a Copa União. Não dá nenhum trabalho verificar isso. Já comparamos 68 a 87, e nada melhora muito quando desdobramos as comparações entre os demais anos. Não se tratava do campeonato mais importante do prédio, só que disputado apenas pelo andar mais gostoso. Fosse tal distinção admitida, muitos Brasileirões não passariam, por sua vez, de títulos – deixem-me ver – mezaninos, no máximo.

Mas eis que o esporte cresceu e virou uma febre no prédio. Em 2004, foi criado o primeiro “Campeonato Geral de Ping-Bong” da empresa, com quase cem jogadores. Partidas disputadas na hora do almoço, em plena sala de reuniões da presidência, com cobertura total do jornalzinho interno. O campeão ganhava um troféu bonito, prêmio em dinheiro, e uma festa no restaurante da diretoria. Moral incrível.

E a coisa piora ainda mais. A Taça Brasil e o Robertão tiveram, muitas vezes, mais participantes do que suas versões denominadas “Campeonato Brasileiro”, e com tanta abrangência quanto a maioria deles. A analogia aprofunda o erro. O “prédio todo” não estava menos na jogada entre 59 e 70 do que passou a estar em 71, com a vantagem de que, até 70, não esteve submetido ao arbítrio de um regime que hipertrofiasse seus torneios.

Só que, sabe como é, com mais gente jogando, as dificuldades aumentaram, e você nunca sentiu o gostinho de entrar no elevador e perceber as pessoas se cutucando (“viu quem é? É o campeão de ping-bong!!”). Ah, como deve ser bom…

Aqui a coisa desanda para inverdade pura e simples e a analogia parte para o grotesco. Basta verificar o número de participantes em cada versão do campeonato, bem como a procedência dos postulantes. E, quanto aos “cutucões no elevador”, não é demais lembrar que o torneio do “prédio todo” não passou a mais prestigioso de 71 em diante. Durante muitos anos, o “campeonato do andar” era tão ou mais valioso que o do “prédio todo” tanto para torcidas quanto para clubes, tolos quanto se os tome pela preferência. Além do mais, ainda que a analogia servisse para alguma coisa – e ela não serve para quase nada –, há agravante aí: todos – é, todos – os vencedores das versões “Taça Brasil” e “Robertão” venceram também a versão “Campeonato Brasileiro” ou “Copa União”, razão pela qual não teriam curiosidade nenhuma em sentir gostinho nenhum que já não tivessem tido oportunidade de gozar, às vezes fartamente. “Ah, como deve ser bom” o quê, cara pálida?

Não passe mais um dia imaginando, amigo. Faça logo um dossiê e peça a equiparação dos seus títulos com os do Campeonato Geral. Você não vai ganhar o troféu, o dinheiro, ou a festa. Talvez não consiga nem comemorar. Mas e daí? Se aceitarem o pedido, na próxima vez em que o campeão geral entrar no elevador e as pessoas se cutucarem, você poderá dizer que ganhou o mesmo título.

O troféu, o dinheiro e a festa já foram ganhos ou feitos e, portanto, não podem e nem devem ser ganhos ou feitos novamente. E, por isso mesmo,  muito menos podem ser tirados, que é com o que o jornalista e seus pares estão colaborando ao espalhar essa conversa fiada – apoiada ou não em analogias mal empregadas, falta de critério e pouca disposição para a pesquisa ou até simples senso histórico. Só o que se quer é evitar a infantilidade, estimulada pela e na imprensa, do “olha, você ganhou mas não vale mais – éramos todos café-com-leite, afinal”, porque se trata de mentira.

É só isso, e nada mais.

Apesar de não ser o mesmo. Vai ter de explicar que o comitê do cafezinho equiparou os torneios, com base na importância dos primeiros campeonatos do andar. Não importa que eles tinham nomes diferentes, e que você não venceu o Geral. Você se sentirá campeão do mesmo jeito. Ou não?

Não se trata de como os clubes irão se sentir, nem dos nomes dos campeonatos, e nem da importância deles. Entre os campeonatos que André Kfouri reputa como “Gerais”, tudo isso variou além de qualquer linha demarcatória, muitas vezes ao ponto de se tornarem as disputas muito menos amplas (e gerais, diga-se), sérias e difíceis do que as  André Kfouri chama de “do andar”. E trata-se menos ainda de quem decide se serão reconhecidos ou não os títulos – se o comitê do cafezinho ou o a CBF. Isso tudo é acessório. O principal é pôr as coisas em seu devido lugar, ou optar pela farsa. É disso que se trata. É só isso, e nada mais.

Afinal, não é isso que alguns clubes de futebol estão fazendo?

Não, não é. Está claro que não é. O que se quer é que se reconheça a verdade: Palmeiras e Santos, por exemplo, têm mais títulos brasileiros que São Paulo e Flamengo, por exemplo, sob qualquer critério de comparação que se queira adotar: nome do campeonato, importâncias relativa e absoluta, abrangência nacional, número de participantes, formato de disputa etc – qualquer um, sem exceção. Por que devem fingir que não têm? Cartas à redação, por favor.

Palmeiras e o Fluminense querem que a Fifa resolva que a Copa Rio, que eles ganharam no começo da década de 50, é o Mundial de Clubes, criado em 2000. O Santos pede que a CBF equipare os títulos da Taça Brasil e do Robertão, conquistados nos anos 60, ao Campeonato Brasileiro, disputado a partir de 1971. Basta uma canetada, e a festa começa.

Mais bobagem. Por que o Campeonato Brasileiro começou apenas em 71? É muito repetir mas, na falta de outro recurso mais divertido, eu não resisto e repito: pelo nome que não é, pela forma que não é, pelos partícipes que não é, pela importância que não é, pelas conseqüências que não é, pela sopa de letrinhas institucional que não é: quem se aposentou pelo IAPI ainda recebe proventos pelo INSS. Pelo tudo que não é e pelo nada que é, por que “… começou apenas em 71.”? Noves fora, quem desceu a canetada? Preciso desenhar?

Será? Qual é o problema em ter orgulho do que se fez, quando se fez?

Eu que pergunto. Qual é o problema, afinal? Problema haveria se quem tivesse direito a se orgulhar fosse constantemente perturbado pela mentira e, para piorar, ficasse quieto. E o que “quando” tem a ver com isso? Quando os atuais brasileiros tiverem mais de 50 anos, valerão menos?

Não há dúvidas sobre a relevância dessas conquistas. A Copa Rio era, comprovadamente, o principal torneio internacional de clubes de sua época. Do mesmo modo que a Taça Brasil e o Robertão eram o que havia de mais importante no futebol brasileiro, enquanto existiram.

Não é bem assim. Se isso fizesse sentido, eu diria que a Copa União não era o campeonato brasileiro, mas apenas “o que havia de mais importante no futebol brasileiro”, enquanto existiu. Apenas não o faço porque sei que não há nenhum critério válido segundo o qual se possa dizer que a Copa União não era o Campeonato Brasileiro, só que com outro nome.

Os troféus estão guardados, as glórias eternizadas, a história preservada.

Mentira. Os troféus estão guardados, mas a glória e a história têm sido depredadas por textos como este de André Kfouri. É glória e história o que se quer preservar com trabalho e documentação, e é a glória e a história que têm sido vítimas da sanha reformista sustentada por nenhum argumento, documentação séria ou ao menos uso da lógica.

Ninguém – que esteja falando sério – pode negar.

Dessa observação devo inferir que o jornalista é o maior dos brincalhões sapecas.

Mas querer transformar esses títulos, com outro nome ou uma equivalência ao que veio mais tarde, é ofender o esforço dos jogadores que os conquistaram.

Todos os títulos, a não ser o primeiro, devem necessariamente vir mais tarde do que os que veiram mais cedo. É o caso de citar Chesterton: não posso mais levar a sério a gente que prefere a quinta-feira à quarta-feira somente porque ela já é a quinta-feira. Não há dúvidas de que os campeões da Taça Brasil e do Robertão possam estar ofendidos. Dizem-lhes que Richarlyson é três vezes campeão brasileiro e que Pelé não é nenhuma – mas não lhes dizem o porquê, apostando todas as fichas em comparações mancas, imprecisão histórica e desejo puro. É uma piada triste. Não dá para pegar leve. Sinto muito.

O campeonato de ping-bong do seu andar não vale menos, só porque existiu antes do Campeonato Geral.

Valeria menos, sim, se houvesse sentido na comparação – coisa que não há. O “andar” não é o “prédio todo”; não recebo por aquele os mesmos cutucões Thyssen & Krupp que este enseja e não posso negar o fato de que o todo inclui as partes – superar o “prédio todo” é mais importante que superar só um de seus andares, importante o quanto ele seja –, mesmo a cobertura triplex vale menos que o alto a baixo.

O caso é que tudo isso é um arranjo muito safadinho de palavras vazias que, suavizantes o quanto sejam, não atenuam a gravidade do ferimento aberto há décadas, e crescendo, na história dos clubes – ao qual o colunista oferece agora sua contribuição. E que se deve desinfetar, fechar e deixar cicatrizar. O corte deve ser curado, não ignorado. Não são os clubes que o rasgaram. Foi a CBF, com a conivência – e agora ativismo mesmo – de nossa crônica.

Ele só não é o Campeonato Geral.

Por quê? Isso o cronista não responde com outra coisa que não essa analogia de ponta a ponta falaciosa cuja utilidade, na melhor das hipóteses, é tornar fosforecentes os erros dos que, em meio à escuridão da ignorância, nela se apóiam.

É uma vergonha em toda a linha. Se alguém quiser continuar a defender o indefensável, que assuma ao menos a pesada carga de nos mostrar que estamos errados. Porque, se for para chutar, daí já é demais.

Haja saco, viu?


[1]Ainda não sei se é Wild Turkey (Russel’s Reserve) ou Maker’s March. Quando decidir, aviso.

[2] Hipótese tão absurda que, aliás, vale até aparte: é o argumento acróstico, segundo o qual a CBF substituiu a CBD e, portanto, organiza outro campeonato. Tá bom.

Post altamente extra: não, não é aquele mais sério, e prometido para ainda esta semana. É só um aparte.

Não, não acho que a diretoria do São Paulo seja o “Belzebu encarnado”. Na realidade, sempre achei que essa turma está mais para Mamon.

Em todo o caso, o Blog do Meu Saco concorda com esta irreverente iniciativa, que vi pela primeira vez no Parmerista.

E também concorda com a esta opinião, do Forza Palestra do Barneschi.

Nesta semana teremos dois posts, e não um. Para compensar o atraso (o dia certo é segunda) e porque este aqui, por mais sintomático que seja, não é importante diante do momento pelo qual estamos passando. É que, e os senhores verão que não estou mentindo, a coisa é de fazer coçar os dedos.

Vejam lá: no começo, cheguei a pensar que fosse algo pontual. Depois, como os problemas de instabilidade são mais comuns no “Além do Jogo” do que em qualquer outro blog rodando na mesma plataforma, desconfiei que o autor andasse sendo prejudicado por más condições de trabalho. Após algumas semanas, começo a acreditar que Damato é apenas um porcalhão.

Os grifos são todos meus. Esta é de hoje:

O que diabos quer dizer É mais porcaria ayé do que o próprio clube. Clube mais tradicional de Portugal, o Benfica venceu apenas , que só ganhou um título português nos últimos dez anos.?

Afora a agressão gratuita dirigida à instituição – o profissional encontrou bolas para isso nas dimensões do Oceano Atlântico, mas sua vontade (ao menos segundo se desconfia pelo tom geral com que o blog é conduzido) era poder fazer o mesmo por aqui –, coisa habitual no jornalismo damatiano, há de se notar os erros de digitação e espaçamento. Alguém dirá: e daí, que frescura! Que chatice!

E seria mesmo, não fosse o fato de que quase todos os posts de “Além do Jogo” apresentarem estes e outros problemas, sistematicamente. A cada dia que passa, a leitura vai se tornando mais e mais dolorida. Afora isso, lembrem-se: Damato é da turma dos críticos preparadíssimos sapienciais. Não cuida do próprio repositório de textos opinativos, muito flexível no que diz respeito às correções de toda ordem, mas é dos que acha que pode viver de apontar os dedinhos pra tudo que é canto. E vive disso. E vive, portanto, de desrespeitar os mais mínimos requisitos de seu ofício.

É sério. Tomemos alguns poucos dias como exemplo.

Em 17 de maio, às 23:07, outro exemplo de digitação atenta:

No jogo do Mineirão, o árbitro não Wilson Seneme não deu um pênalti claro a favor do Grêmio e deu outro muito menos evidente a favor do Atlético

Ainda em 17 de maio, às 23:02, um aposto sui generis – e isto já é bem mais grave:

Sem contar, outras grandes intervenções, contra André Santos e Elias.

Em 16 de maio, às 21:42, esta Senhora Demonstração de domínio da ferramenta. O post começa assim:

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Na seqüência, um show de vírgulas – e da ausência delas, afinal – bem colocadas, períodos claros e descrições precisas:

E mais Bruno fez grandes defesas, evitando o pior.

Mas é fato que também um lance na outra área em que o jogador abriu uma asa ao virar de costas.

… o técnico Silas – aquele que surgiu com Muller cresceu, chegou à seleção e foi camisa 10 na Copa de 1990 – e praticamente não foi notado.

No mesmo dia, às 21:18, em outro post aberto por código, a pressa lhe fez comer preposições e letras:

E Seneme é reconhecidamente um melhores árbitros do Brasil.

…Herrera se colocou em impedimento para receber o cruamento

Em 16 de maio, às 17:48, a digitação (espero) prejudicou-lhe a concordância, e qualquer outra coisa prejudicou-lhe a concentração:

Os donos dos saloons vai proteger os espelhos. O pinanistapôs a tabuleta pedido que não se atire nele

Um dia antes, em 14 de maio, às 4:52, um sonado Damato trocou a supressão de caracteres devidos pela inclusão de indevidos (E dcomo quase), o gênero de um substantivo (No intervalo, a execução do hino foi exibido) e, para encerrar, atacou outra vez a concordância verbal (As imagens mostrava apenas).

E já havia começado o dia comendo palavras inteiras – só um verbinho à toa, é verdade – quando nos disse que se nenhum brasileiro chegasse às finais da Libertadores, vai muito difícil aguentar o mala do Hugo Chávez.

No dia 13, às 20:54, Damato saiu-se com um “Histoircamente” . Depois, graças ao tique de descer a lenha na fraqueza dos clubes brasileiros, disse que Ecclestone foi um tremendo traidor porque usou o apoio dos clubes em causa própria, querendo falar, é claro, ou de equipes de F1, ou de construtores de carros. Isso tudo porque Unidos as escuderias, sabe-se lá o que poderia acontecer. E o jornalista ainda encontrou tempo para fechar a coisa com mais esta lição de como tratar a vírgula, utilizando-a para separar o sujeito do predicado: Mas, a cada dia, a chance disso, diminui um pouquinho. No mesmo dia 13, já havia abusado da pobrezinha (se bem que sob outra modalidade) neste inexplicável O goleiro do Vitória até teve de jogar com meiões com a sigla, CRVG, do Vasco. Nada parece capaz de detê-lo. Nada.

Não é nada, não é nada, já é alguma coisa. Portanto, antes de tachar-me de chato pense um pouco nisso: não se tratam de erros pontuais. O blog é todinho assim – descuidado na forma, no visual e – por que não? – em tudo o mais. Afinal, se Marcelo dá tal atenção ao seu mais pessoal material, imagino em que estado escute suas fontes. Ou faça suas pesquisas. Ou confira datas, ou cruze informações, ou cheque fatos. Ou pratique todo o resto de seu jornalismo. Sim, porque se fôssemos apanhá-lo pelo conteúdo, bem…

Juro-lhes, a coisa não ficaria melhor.

Ainda esta semana, algo mais substancial. Até lá.

.

Paulada diária de Eduardo Arruda, no Painel FC da Folha de sexta:

Reclamação. O Palmeiras tem hoje mais de 60 processos trabalhistas. As cobranças chegam a cerca de R$ 30 milhões. O clube, entretanto, diz acreditar que não perderá mais do que R$ 1 milhão

Arruda parece acreditar que parte das atribuições de seu cargo consiste em lançar ao menos uma nota diária que possa, de alguma forma, parecer deletéria ao Palmeiras.

Não vou entrar no mérito da questão – todos, todos os grandes clubes brasileiros, a exemplo de todas as grandes empresas brasileiras, sem exceção e por conta de motivos que sequer vêm ao caso, trabalham com passivos trabalhistas inevitáveis e nominalmente tanto enormes quanto fantasistas que, em regra, são perfeitamente administráveis – porque não pretendo me ater a esta nota, isolada. O que interessa é o método, ou mesmo a mera existência de um método. Se o volume de dinheiro exigido nas iniciais trabalhistas fosse motivo sério de nota em qualquer painel, a Folha da Manhã S.A. deveria reservar todas as suas edições de domingo – ad aeternum – somente à auto-referência, num imenso Painel TRT.

Observem o quadro abaixo. Nele, reuni todas as citações ao Palmeiras contidas em notas assinadas por Arruda, no Painel, no intervalo compreendido entre 07 de abril de 2009 e 07 de maio de 2009 – 01 mês, portanto. O resultado é pertubardor.

Lendo as notas, é possível compor certa imagem do Palmeiras segundo a qual o clube só pode ter sido tomado por celerados suicidas, duendes histéricos e ogros satanistas. Os conselheiros, diretores e sócios do Palmeiras estão sempre “revoltados”, “irritados” ou “rebelados” contra tudo e todos, desde a comissão técnica até as pedras das alamedas internas. São personagens capazes de dar demonstrações de otimismo apenas se e quando possuídos por alucinada e imprevidente arrogância. Ninguém jamais está satisfeito com a administração do clube, do futebol e da vida. A torcida também não é muito boa da cabeça. Quem lê Arruda todos os dias, em pouco tempo convence-se de que, no Palmeiras, há sempre – diariamente, mesmo – motivo para desconfiança mútua e interna quanto às contas, à competência e a sinceridade de todos os envolvidos em cada um dos setores da instituição para cada um e para todos os atos que dentro dela ocorrem. O Palmeiras de Arruda é o próprio inferno de Dante. Não é exagero. Vocês vão ver.

O quadro é exposto pela data da publicação, desde a mais recente até a mais antiga, mantendo-se somente a seqüência interna de cada dia – a ordem é proposital: invertendo-a em relação à originalmente publicada, evito o efeito “novelinha” e reforço o argumento de que o efeito produzido está é na sistematização do tratamento dado ao clube, e não nos fatos do mundo que podem ou não ser objetos de um painel. São 68 apontamentos, todos comentados. A gente fica tentado a rir, mas acaba se consternando antes.

Vamos lá.

Dia Nota Observação
7/5 Torto. Cartolas palmeirenses disseram ontem que a entrada da Mancha Alviverde no Palestra Itália foi liberada porque membros da organizada que haviam ingerido bebida alcoólica ameaçavam fazer quebra-quebra na porta do estádio. Ninguém, contudo, assumiu quem deu a ordem para a torcida entrar. Afora a mentira pura e simples (uma turba embriagada, enfurecida e uniformizada não esperaria uma notinha ordinária para se fazer notar), reparem como a diretoria do Palmeiras é descabeçada: são criaturas que acham que se bêbados furiosos tentam entrar à força em sua casa, é melhor pô-los logo para dentro antes que arrumem confusão. Ora, mas pode ter sido uma desculpa para a leniência! – alguém dirá. Para quê, se quem entrou nem uniformizado estava (videm fonte direta no Forza do Barneschi)? O troço não tem pé nem cabeça, além de não se apoiar em fato nenhum.
7/5 Vítima? Paulo Castilho, que proibiu a entrada da Mancha nos estádios, era o único que poderia autorizar a torcida. Porém, dizem palmeirenses, não foi localizado. O promotor, que ontem criticou a presença da organizada, diz ter tido seu celular furtado em uma lanchonete do estádio. Se os desmiolados diretores pretendiam passar por cima do promotor, por que a) procuraram-no, se queriam praticar ato que deveriam esconder dele, o promotor procurado e b) procuraram-no a sério, se caso o achassem piorariam a situação de seus protegidos e ainda falhariam no intento de ludibriá-lo? Ah, mas eles só dizem que procuraram, é mentira… alguém dirá. Notem como ou essa gente que manda no clube deveria estar internada, ou o único sentido da nota é encaixar a acusação de furto. Arruda deve ter achado que emprestava algo de sapeca à atmosfera de desordem e loucura que tentou pintar.
6/5 Tranquilo. Mesmo com a proibição do Ministério Público de entrar nos estádios, a Mancha Alviverde estava presente no Palestra Itália ontem. O presidente da torcida, André Guerra, perambulou com a camisa da organizada. Qualquer pessoa mais ou menos normal percebe que a proibição não pode ser efetiva, ou seja, que não é capaz de impedir torcedores pertencentes à uniformizada de ir ao estádio, mas apenas privá-los do direito de se vestirem como bem entenderem – e isso apenas no estádio. E somente alguém profundamente engraçadinho pode imaginar que tal veto não pode ser eventual e pontualmente contornado. Arruda é um brincalhão.
6/5 Truque. A diretoria do Sport está irritada com o Palmeiras. Afirma que o clube está assediando o atacante Ciro e o lateral-direito Moacir. Ah, essa diretoria do Palmeiras… Assediando as principais promessas do adversário direto numa competição de vida ou morte, durante a competição de vida ou morte! Canalhas! A diretoria do Sport (seja lá o que isso signifique, Arruda não nos diz) tem mesmo que ficar irritada. E digo mais: se Beltrão ainda não havia pensado em mais essa, não deve se fazer de rogado. Por favor.
6/5 Catraca. No caso de Moacir, os pernambucanos contam que a BWA, que tem 45% dos direitos do atleta, tenta colocá-lo na equipe alviverde para se reaproximar do clube. Bela salada. A BWA, que todos já conhecemos, volta à tona. Agora, digam-me: como os diretores do Sport (quais, Arruda não conta) estão sabendo que a BWA quer prejudicá-los para ajudar o Palmeiras e assim se reaproximar do clube já, imediatamente após levar um pé na bunda (não esperam nem a quentura passar)? É coisa que só a sandice da diretoria do Palmeiras poderia explicar, né mesmo?
5/5 O personagem. A diretoria do Sport está preocupada com a escalação do árbitro argentino Sérgio Pezzota para o jogo com o Palmeiras hoje. Diz que ele prejudicou o Colo Colo no Parque Antarctica na fase de classificação e está envolvido em escândalos em seu país e no Uruguai. A diretoria do Sport deve ter sido envolvida pelos ares manicomiais da do rival. O Palmeiras foi derrotado por 3 x 1 contra o Colo-Colo, mas isso porque o árbitro ainda quebrou um galho. De toda forma, fica o registro de que a diretoria do Palmeiras, além de ser capaz de tudo – como se verá adiante – não estava preocupada com o árbitro. Aí tem. É espantoso o tom de legitimidade com que se transmitem as preocupações alheias, semelhantes em tudo ao que, na diretoria ou na torcida do Palmeiras, se verifica como complexo de perseguição – essa gente paranóica que vê um complô a cada esquina.
5/5 Zíper. O vice de futebol do Sport, Guilherme Beltrão, conta que seus jogadores estão orientados a não responder provocações dos rivais. Naturalmente, Cipullo tem orientado seus jogadores a saírem na porrada ao menor sinal de malemolência adversária. Os dirigentes do Palmeiras jamais são tão sensatos quanto os comandantes da esperança da hora. Isso vai ficar claro no próximo tópico, quando ficaremos sabendo que…
5/5 Desejo. Já os palmeirenses dão de ombros para as suspeitas do rival. Afirmam que o clube pernambucano não deveria ter feito pressão para a escalação de estrangeiros. o que é orientação no rival – orientação, essa palavra sóbria e tranqülizadora – no Palmeiras é dar de ombros, esse gesto sórdido de desdém prepotente. Ademais, o Sport pediu mesmo árbitro estrangeiro, mas não porque estivesse tomado de qualquer sentimento encaixável numa palavra desagradável, e sim porque o pessoal de lá, como se sabe, é muito preocupado (ver a primeira nota do dia).
4/5 A prazo. A explicação da diretoria palmeirense para fechar acordo que asfaltou partes do clube com a empresa do sobrinho do secretário-geral Ebem Gualtieri foi a de que ela tinha o melhor preço e parcelava em três vezes. Afora o constatação de que, como se percebe pela freqüência do assunto, a diretoria alviverde vive tendo que dar explicações sobre algo suspeito, a gente fica tentado a perguntar que outra explicação poderia ter sido dada. Ou o clube é composto por gente que faz acusações infundadas apenas para ouvir respostas imbecis, ou aí vai mais uma nota em que o importante é dizer que há confusão no pedaço – e os fatos que se danem.
3/5 Chantagem. Um ex-funcionário do Palmeiras tem oferecido a opositores de Gilberto Cipullo dossiê com supostas irregularidades cometidas pelo terceiro vice-presidente do clube alviverde. Pelo documento, ele estaria cobrando R$ 10 mil. Dossiê com “supostas irregularidades” é como um exame de HIV constatando suposta soropositividade talvezísitica. Não existe nem como prova judicial, nem como subsídio jornalístico. Notem a imoralidade da coisa. Se há mesmo tais opositores – a coisa é tão vaga que mais parece mentira, e posso tecer tal comentário dizendo algo assim: “ex-amantes de Arruda garantem que ele ouve vozes” – a afirmar coisa tão séria, a obrigação do jornalista é investigar o episódio, não dar vazão a um dos lados da história atendendo, única e exclusivamente, às necessidades desse lado – quer se trate do lado que diz a verdade, quer não. Arruda sequer tentou ouvir Cipullo. A coisa é de uma enormidade indefensável.
3/5 Corrosão. A diretoria do Palmeiras diz que o aumento das mensalidades dos sócios já estava prevista para fevereiro e que foi adiada à época para uma melhor análise. Os dirigentes concluíram que isso era inevitável para impedir um sucateamento do clube. O clube está, portanto, às portas do sucateamento – caso contrário não haveria urgência no aumento que foi… adiado diante da ameaça de… sucateamento. Fico confuso. Ou o clube está sob risco de virar sucata, ou pode adiar aumentos. Mas acho que sei o que aconteceu. Arruda estava louco para enfiar as palavras sucateamento e clube no mesmo período, desde que estivéssemos falando do clube certo. Poderia falar em defasagem, em descompaço, mas estava louco por escandir su-ca-te-a-men-to. Achou gostoso, nunca havia dito ou escrito algo assim antes. Foi só isso. Não se trata de maldade do Arruda. Tratam-se apenas de desejos recônditos de um homem positivamente negativo.
2/5 Boa. O presidente do Palmeiras, Luiz Gonzaga Belluzzo, gostou do adversário do time nas oitavas de final da Libertadores. “O Sport a gente já sabe como joga. Para nós, foi uma boa”, declarou. É um arrogante. Todo o mundo sabe. Os palmeirenses do Arruda só podem ficar felizes se nos oferecerem a ocasião de, depois, tirarmos uma com a cara deles.
1/5 Rebeldes. Estremecido com a direção do Palmeiras, o primeiro vice do clube, Salvador Hugo Palaia, inaugurou sala nas dependências do clube. Aliados do vice dizem que o local será o “foco da resistência” do grupo do ex-presidente Affonso della Monica. Os “aliados”, aqui, são como os “opositores” lá de cima e os “cartolas” de sempre – não são pessoas, apenas personagens que vivem tramando maldades. É todo mundo louco: os opositores excêntricos que fundam a “resistência” não são melhores que os doidivanas arrogantes a que fomos apresentados nas outras notas.
30/4 Motim. Associados do Palmeiras farão um abaixo-assinado contra o aumento de 25% na mensalidade a partir de maio. A oposição reclama de que a diretoria descumpriu promessa de não elevá-la. A balbúrdia, a balbúrdia. As promessas descumpridas, os diretores farsantes, os opositores de fancaria. Bom, quem elege essa turma e ainda torce pelo Palmeiras não pode bater muito bem da bola, né não? Sugestão aos que quiserem acompanhar a questão de perto: ao Parmerista, de Conrado Cacace.
30/4 Justificativa. Em carta, a direção do Palmeiras associa o aumento às metas financeiras traçadas para alcançar um “equilíbrio financeiro”. Que coisa, né? Outra vez, dada a obviedade do conteúdo da carta, quase salta na nossa cara a vontade de Arruda de pinçar dela – a base da nota – o termo que mais lhe coçou a orelhinha sagaz. Fica para o leitor adivinhar qual é. Ai, que difícil!
29/4 Recorde. Causou espanto no Palmeiras o gasto registrado pelo clube com o futebol no mês de março: R$ 12 milhões, ou quase quatro milhões a mais do que o consumido em fevereiro. Os números foram divulgados anteontem à noite, em reunião do Conselho de Orientação. Conforme havíamos dito, no Palmeiras o clima é sempre de espanto, irritação, revolta ou conspiração. Vejam bem, essa é surpreendente. O departamento de futebol majorou suas despesas em 50% de um mês para o outro, mas ninguém estava avisado e nem ficou sabendo de nada até a demonstração dos resultados, donde o espanto generalizado. Plausível como eu e Jennifer Lopes lutando na piscina do Gugu, gel para todo lado e ela tentando impedir minha fuga. Chega a ser criancice do colunista. Ainda mais por que em seguida ficamos sabendo que…
29/4 Bode. A explicação da diretoria para essa quantia é a de que o clube teve de pagar R$ 2 milhões pela compra de parte dos direitos de Keirrison. Os conselheiros não engoliram. E mantêm a posição de que o rombo é causado pelos gastos com Vanderlei Luxemburgo e sua comissão técnica. … os conselheiros só ficaram sabendo da compra de ninguém menos que Keirrison somente um mês depois do negócio. Não lêem jornal. Arruda quer que engulamos isso, mesmo depois de dizer que os conselheiros (devem ter sido todos, não é não?) não são trouxas – somente malucos, como ficamos sabendo ao longo do mês – e não engoliram, eles, o que ele, Arruda, considera conversa fiada, posição que só se sustenta na hipótese de Keirrison ter sido doado ao clube em segredo. Estão todos sabendo que a culpa é de Luxemburgo e de sua comissão careira. Francamente, o Arruda é mesmo levado. Pretende que tomemos a versão que mais agrada à oposição do clube – opinião não necessariamente sincera, aliás – pela opinião geral dum Conselho que acaba de eleger Beluzzo.
29/4 De olho. No Palmeiras, a escalação do árbitro paraguaio Carlos Torres, o mesmo que trabalhou na vitória do time contra o Sport, para o jogo contra o Colo Colo foi comemorada ontem. Conselheiros disseram que gente da Traffic andou conversando com gente da Conmebol. E os Conselheiros (todos, né não?) agora mostram o quanto tramam contra os adversários. Não é o suficiente beberem uns o sangue dos outros. Ao passo que os dirigentes rivais tem lá seus motivos de preocupação para com árbitros que a) só são estrangeiros porque eles querem e b) apitam partidas em que o Palmeiras é derrotado em casa, os representantes do Manicômio Verde têm razões obscuras  e suspeitas para comemorar uma conversa entre gentes da Traffic e da Conmebol . Se isso não for insinuar coisas, não sei o que possa ser. Gozo em saber que, desta feita, a Traffic não tenha enviado seus lobisomens. Arruda ouve vozes e eu vejo fantasmas. Imaginem a Traffic sacaneando nos bastidores e deixando a sujeira vazar para conselheiros desses que falam ao Arruda ou, pior ainda, conselheiros pilantras que apóiam a Traffic urdidora indo correndo ao Arruda para sabotar os próprios planos. Eu e Jennifer pedimos mais gel. Muito mais gel. Agora.
28/4 Irregular. O Palmeiras perdeu o prazo estabelecido pela CBF para apresentar laudos exigidos pela entidade para liberar o Palestra Itália a receber jogos do Brasileiro-09. Ontem, membros da diretoria do clube alviverde tentavam regularizar a situação. Ah, bom. Mas o dia não poderia passar em branco. Uma cagada deveria haver, conforme informam colegas de Arruda. Estou captando o estilo, hein?
27/4 Dúvidas. Oposicionistas palmeirenses contestam a informação do presidente do Palmeiras, Luiz Gonzaga Belluzzo, de que parte do salário do técnico Vanderlei Luxemburgo é pago pela Traffic. Dizem que os valores pagos pela parceira são descontados de vendas de direitos de atletas. E o que dizem os situacionistas? É impressionante, senhores: em nenhuma hipótese os situacionistas têm o direito à palavra, a não ser que a última delas seja concedida à acusação. Arruda é a própria Rainha de Copas. Aliás, Arruda ao menos tentou conferir se o que os oposicionistas disseram – isso se não foram as vozes dentro da cabeça dele – corresponde aos fatos? Hein? Caso contrário, por que ele não adota o discurso da situação e pronto? Jornalisticamente, daria no mesmo, ou seja: em nada.
27/4 Reforço. A diretoria do Sport diz ter descoberto que o empresário Sérgio Malucelli, amigo de Luxemburgo, trabalhou pelo Palmeiras nos bastidores da Taça Libertadores. Meu Deus do Céu, quando, onde, quem disse isso? Qual diretor? Em que circunstância houve a – francamente, hein? – “descoberta”? Por que Malucelli seria útil numa situação dessas? Essas notas saem quando as pílulas acabam? Esse rapaz precisa de cuidados médicos. Só o Palmeiras age nos bastidores? A diretoria do Sport comporta-se apenas às claras, ou não pôde conseguir intermediários tão significativos? Por que não procuraram – deixem-me ver – Agnaldo Timóteo, por exemplo? Ele teria tanto à dizer aos “bastidores da Taça Libertadores”, seja lá que porcaria é essa, quanto toda a família Malucelli. Ai, minhas bolas, por favor, alguém me ajude: o que diabos são “os bastidores da Libertadores”? É só uma rima? Arruda, me acuda! Assim vale?
26/4 Mais um. A contratação do volante Mozart pelo Palmeiras gerou novos protestos de conselheiros contra Vanderlei Luxemburgo. Lembram que é mais um jogador que tem origem no Paraná, Estado onde o técnico costuma buscar reforços. Agora passamos à palhaçada. Protestos são, por definição, públicos. E ninguém teve notícia de nada disso, a não ser as vozes que assombram Arruda na noite de sua mente poética. E será que os conselheiros do Palmeiras são tão retardados que se prestariam a uma acusação dessas? Mozart está no Leste Europeu há anos. O que o Iraty – pois é isso que ele quis dizer – tem a ver com isso? Trocaram a receita? Cadê a Ritalina?
25/4 Cobertor curto. O Palmeiras teve de improvisar barreira de proteção de vidro para separar os torcedores de seu camarote Premium no Parque Antarctica. Os vidros para o local foram retirados de um salão de festas do clube. O fato revoltou conselheiros. Sim, o Palmeiras está tão sucateado que rouba a si mesmo e lesa a si próprio. E o clima de revolta continua. É tanta revolta que já vejo Beluzzat (ou seria Maruzzi?) assassinado na banheira, pena em punho, pela orfã esfaqueadora de um conselheiro oposicionista morto em razão da revolta, da irritação e durante qualquer trambique contra a tesouraria do Juqueri – são tantos nessa situação que a possibilidade é imensa, não é mesmo?
24/4 Luxemburgo SA. O presidente do Palmeiras, Luiz Gonzaga Belluzzo, afirma que a comissão técnica do clube custa menos do que R$ 620 mil ao clube, valor divulgado pelo técnico Vanderlei Luxemburgo na última terça-feira. O motivo, explica o cartola: “Custa menos porque nossa parceira paga uma parte do salário do nosso treinador”. Os valores não foram confirmados pelo dirigente, mas cartolas ligados à diretoria alviverde dizem que a Traffic desembolsa cerca de R$ 200 mil mensais para cobrir os vencimentos do técnico palmeirense. Compreendam: cartolas ligados (são mais de um, o que se deduz do plural, e foram escolhidos por Beluzzo, o que a lógica pede) à diretoria dizem que o que o chefe, para protegê-los, esconde. Só para estrepá-lo. É super usual. No Palmeiras. Jennifer, cuidado com esse dedo!
24/4 Tendência. Para Belluzzo, o valor pago pelo clube à comissão técnica está dentro da realidade de mercado. “Nossa comissão não custa mais que a dos outros grandes”, afirma. “O custo do futebol é alto e, se você quer competir, não pode ser inferior ao dos outros.” Notem que Beluzzo pode estar enganado: “Para Beluzzo…”. Isso precisa ser assim porque…
24/4 Acareação. Na próxima segunda-feira, membros do Conselho de Orientação e Fiscalização do Palmeiras prometem cobrar do presidente o detalhamento com os gastos do futebol, que ultrapassaram os R$ 8 milhões em fevereiro. … o homem talvez não tenha como se justificar acerca das despesas com futebol. R$ 8.000.000,00 para um departamento de futebol engajado na briga pela Libertadores parece, para todos – nessas horas, os oposicionistas tornam-se todos “membros do Conselho” – os envolvidos na administração do clube uma cifra inimaginável. É engraçado, mas só os conselheiros do Palmeiras sempre sabem o quanto custa o futebol do clube e só os conselheiros do Palmeiras nunca gostam do que ficam sabendo. Não ouvem boas notícias desde que Arruda suspendeu a Ritalina. Essa história da Ritalina me foi garantida por “companheiros próximos a Arruda numa sauna que ele freqüentaria”. Algo assim. Outra coisa: acareação, Arrudinha? Acareação?
23/4 Piche. O presidente Luiz Gonzaga Belluzzo explicará ao Conselho de Orientação e Fiscalização o processo de licitação para asfaltar o estacionamento do Palmeiras. Piche, Arrudinha? Quem lhe contou isso? É possível acareá-lo com a fonte?
23/4 R$ 49 mil. “Eram quatro propostas, e venceu a melhor”, diz Belluzzo. “Não importa se foi a do sobrinho do Ébem [Gualtieri]. Não posso tirá-la por isso”, explica ele, referindo-se à empresa de Pedro Gualtieri, sobrinho do secretário-geral do clube. Ah, entendi. Esse Beluzzo é safado, Só não vê quem não quer. Está claro. I see dead people!
22/4 Famoso quem? O 2º vice do Palmeiras, Clemente Pereira Jr., foi barrado ao tentar entrar no camarote Premium do Palestra Itália no clássico com o Santos. Ele fez um escândalo e disse que, por seu cargo, entraria sem pagar. Não deu certo: ficou de fora. O que não falta é maluco lá, né mesmo? Ô povo destemperado!
21/4 Desmotivado. A avaliação de dirigentes palmeirenses sobre Vanderlei Luxemburgo é a de que o técnico não está concentrado no trabalho. Reclamam de que as famosas preleções de Luxemburgo, que sempre funcionaram e motivaram os atletas, não têm mais surtido efeito. Um exemplo é que ele nem utiliza mais as provocações dos adversários para incentivar seus jogadores. Citam o duelo contra o Sport, na semana passada, no Parque Antarctica, quando os pernambucanos disseram que o time alviverde era freguês em sua casa. Quais dirigentes? – não preciso de nomes, mas gostaria de ter uma idéia da área de atuação e do número. Pelo que entendi, devem ser Paulo Vinícius Coelho, Vítor Birner e Juca Kfouri. Arruda é claro como o céu de outono, donde resulta essa impressão de que, além de ouvir vozes, ele psicografa vivos. Certamente, na esperança bonita de ser o mais vivo de todos. Grande garoto.
21/4 Vale. O prêmio pago pela diretoria do Palmeiras pela classificação às semifinais do Paulista foi de cerca de R$ 700 mil. Conselheiros do clube dizem que o dinheiro veio do banco Banif. O diretor financeiro do clube, Fábio Raiola, conta que a verba saiu de adiantamentos de cotas. Notem que Raiola pode ter oferecido o adiantamento de cotas para garantir o empréstimo utilizado no pagamento do prêmio, e desse modo ninguém estaria mentindo – hipótese inconcebível para a alma arrudiana. Mas isso é assim porque…
21/4 Em vão. A expectativa da diretoria era que, com o adiantamento no pagamento do prêmio, o time fosse ter um desempenho melhor. … aos trouxas que dirigem o clube, só resta a decepção. Os dirigentes do Palmeiras são os únicos, no Brasil, cuja frustração pela derrota precisa ser agravada pela bovinidade. Todos os outros, quando perdem, perdem esportivamente.
20/4 Olho no professor. Grupo de oposição a Luiz Gonzaga Belluzzo vai criar o “Palmeiras Forte”, para fiscalizar e cobrar a administração. Ah, bom. Eles devem ter motivos mil. Por exemplo…
20/4 Asfalto. A gota d’água para a articulação do movimento foi a licitação para a pavimentação do estacionamento e das alamedas do clube. … esse assunto das alamedas…
20/4 Preços. Os oposicionistas dizem que a empresa vencedora cobrou R$ 49 mil pelo serviço e é ligada a Pedro Gualtieri, sobrinho do conselheiro situacionista Ébem Gualtieri, diretor financeiro na gestão do ex-presidente Affonso Della Monica. … que começou aqui. O caso é que Arruda, conforme me garantem figuras próximas a ele em atividades telúricas, está instruído por alguns de seus superiores a achincalhar o Palmeiras ao menos uma vez por dia. Ou é isso ou prevalece a versão segundo a qual nenhuma área social de nenhum grande clube paulista é causa de confusão, fofoca e baixaria entre os associados. Diretores, conselheiros, opositores e situacionistas de todos eles garantem isso, em protestos irritados e, quiçá, revoltantes, todos eles cochichados nos bastidores.
19/4 Outra vez. A pedido do Ministério Público, a polícia abriu inquérito, no 23º DP, contra a Mancha Alviverde. O motivo: a emboscada feita pelos palmeirenses a um ônibus com torcedores do Sport após o jogo da última quinta-feira. Ah, não acredito. Se for verdade que houve tal emboscada, é a primeira vez, desde que começamos, que Arruda consegue estocar o clube sem recorrer às vozes ou ao Gardenal. Vejam só, talvez esta nota (e a próxima) sejam fruto de trabalho honesto!
19/4 Barrada. A partir de hoje, será proibida a entrada da Mancha nos estádios. Nenhum membro da organizada poderá ir aos jogos com camisas, faixas ou bandeiras da torcida. A Promotoria da Justiça e Cidadania também deve pedir a extinção da torcida. Favor observar a nota anterior. Emociono-me com facilidade.
18/4 Vida Dura. Dirigentes do Palmeiras estão revoltados com o técnico Vanderlei Luxemburgo. Reservadamente, reclamam de que o clube teve de recorrer a empréstimo bancário para acertar a premiação do treinador pela classificação às semifinais do Paulista. Segundo cartolas, Luxemburgo exigiu receber o dinheiro antes do primeiro jogo com o Santos. A coluna procurou a assessoria do técnico, mas não obteve resposta. O presidente do clube, Luiz Gonzaga Belluzzo, tem sofrido pressão até para demiti-lo em caso de fracasso hoje. Ah, estava bom demais para ser verdade. Voltamos às vozes. Arruda é um irresponsável. Não está preservando fontes, está é brincando de esconde-esconde. Esses dirigentes são maioria? A pressão é séria? A informação da exigência de Luxemburgo procede, ou ao menos há indícios de que proceda? Como levar a sério essa montanha de alegações atribuídas a coletividades inidentificáveis, quase etéreas: dirigentes, cartolas (o que ele quer dizer com cartolas? Cartola é dirigente, pode apenas ser conselheiro? Arruda não está falando só de sócios – aliás, de que catzo ele está falando?), gente, pessoas. E tudo no condicional: segundo um sujeito indeterminado, algo teria acontecido. Precisamos mesmo dessa palhaçada? Por quê?
18/4 Resposta. Se perder, o Palmeiras não deve demitir Luxemburgo. O motivo principal é a multa rescisória do contrato, que vai até o final deste ano. Mas o clube deve enxugar a comissão técnica, com mais de 21 profissionais. Perdeu (para o Santos, o então adversário seguinte), e não expurgou. Acho que a pressão, denunciada no dia seguinte (mais abaixo) não era tanta, ou os conselheiros sequer tinham condições de exercê-la; ou, ainda, jamais existiram e Arruda está apenas ecoando o que seus colegas gostam de ouvir e dizer. Alguém precisa explicar ao rapaz que o fato de lhe pagarem um salário implica suposição de que ele está trabalhando. Já antevejo os cartazes colados aos postes mais remotos da cidade: “Mãe Arruda – Leio Mãos – Resolvo Problema de Amor Clubístico – Orçamento de Grátis“. É, Arruda. “De grátis“.
18/4 Dirigido. Uma das principais reclamações de conselheiros palmeirenses é que Luxemburgo, ao mudar a equipe no duelo com o Sport, pôs em campo Evandro e Marquinhos, que têm sido muito criticados pela torcida. Os conselheiros do Palmeiras têm apenas reclamações. O Palmeiras avança na Libertadores, mas só há gente puta da vida disposta a falar ao Painel. Arruda tem ouvido seletivo. Espero que não obedeça à vozinha que lhe diz, insistente, que ele pode voar. Ou não.
17/4 Manjado. A principal reclamação de dirigentes palmeirenses após o empate com o Sport era com o fato de Vanderlei Luxemburgo saber, há pelo menos duas décadas, como Nelsinho Batista arma suas equipes e sempre ter dificuldade para enfrentá-lo. Repito: os dirigentes do Palmeiras são tão boçais assim? E são tantos os boçais que pareçam a Arruda uma voz significativa? Os “revoltados” – de novo a revolta, meu Deus -, segundo a pena do Painel, fazem uso de um argumento tão pedestre que rebater fica até chato. Preciso mesmo desenvolver isso? Hein?
17/4 Desencanto. Cartolas revoltaram-se com o desempenho de Keirrison anteontem. Reclamavam de que o atacante não entra em divididas e só pensa em jogar na Europa. Também vi torcedores dizendo a mesma coisa. Duvido que cartolas não o tenham dito. Também vi torcedores defendendo Keirrison. Duvido que cartolas não o tenham feito. Por que Arruda fixa-se obssessivamente nos pólos negativos –  e mais tarde vamos ver como isso se restringe ao Palmeiras, ao menos quanto aos clubes. Por quê? Amigos de boteco heterodoxo freqüentado por Arruda garantem que é porque ele tem prisão de ventre, e estão revoltados com isso.
17/4 O culpado. No tenso camarote palmeirense no Palestra Itália, até companheiros de diretoria faziam críticas ao vice Gilberto Cipullo, homem forte do futebol. E quando passou a tensão, a coisa melhorou?
17/4 Em fuga. O vice do Sport, Guilherme Beltrão, desafeto de Luxemburgo, teve de deixar o camarote dado ao clube pernambucano dez minutos antes do final do jogo. Foi avisado por seguranças de que corria risco de apanhar. Quanta precisão, certamente em nome da clareza. Seguranças de quem? Dele, Beltrão, ou do Palmeiras? Os seguranças do Palmeiras disseram a Beltrão que não poderiam garantir-lhe a segurança dentro do próprio estádio do Palmeiras? Ou os de Beltrão não confiam em seus colegas de São Paulo? Descobriríamos mais facilmente caso Arruda não fosse cínico: se Beltrão foi ameaçado nos camarotes pela turba ignara, tais fatos são, necessariamente, públicos e notórios. Portanto, não havia necessidade de manter o estilo vaselina louca. Fica a impressão de que Arruda é criativo, e que está no ramo errado.
16/4 Demais. O salário de Vanderlei Luxemburgo foi alvo de críticas do governador José Serra em jantar oferecido pelo Palmeiras à diretoria do Sport em São Paulo. Ah, claro, a cena é realmente plausível: o governador do Estado reclamando para a direção de seu time de coração, num evento oficial e na presença da direção do clube de outro estado – repleta de membros de outros partidos, hostis ao governador -, pondo-se a comentar os salários do treinador contratado pelos anfitriões, matéria aliás do gosto de muitos dos jornalistas que já acusaram o mesmo governador das intervenções mais insólitas nos rumos do futebol paulista. Suspendam a alopatia. Passemos ao eletrochoque.
16/4 No papel. Quem é contra o acordo com a Outplan, que agora comercializa os ingressos no Palmeiras, reclama de que a empresa atua no clube sem ainda ter assinado o contrato e sem ter apresentado a carta fiança de R$ 1 milhão. Espantosa a capacidade desta diretoria em gerir um clube onde só há ou diretores, ou opositores revoltados. Situacionistas sem cargo, não há. O palmeirense arrudiano é um camarada que “não acredita em situação, mas que ela existe, isso lá é”.
16/4 Palavra. O Palmeiras diz que os departamentos jurídicos das partes estão finalizando o contrato. “E, como não foi assinado ainda, não podemos cobrar a garantia bancária”, explica o diretor financeiro do clube, Fábio Raiola. Jura? Deve ser mentira, Arruda. Por que publicar, hein? Bobagem, rapaz, bobagem. Secretários próximos ao Governador do Estado garantem que ele auditou pessoalmente esse contrato e anda revoltado ou, quiçá, até mesmo muito revoltado com a coisa. Não tem outro assunto, o Governador. Hei, Jennifer, e se a gente tentar um com aroma de morango?
15/4 Boas-vindas. A diretoria do Palmeiras ofereceu jantar aos cartolas do Sport. “Eles serão muito bem tratados aqui, até ele [Guilherme Beltrão, vice do Sport, que está em atrito com Vanderlei Luxemburgo]”, disse o presidente Luiz Gonzaga Belluzzo. Beluzzo não pode ser sinceramente gentil. Essa cadeira fica reservada aos Beltrões da hora. Por isso, “até ele”. Ah, carcamanada suja.
15/4 Sem nome. Desde que começou a criticar Vanderlei Luxemburgo, Guilherme Beltrão não pronuncia mais o nome do técnico palmeirense. O dirigente do Sport refere-se a ele somente como “o funcionário do Belluzzo”. Nossa, quanta dignidade! Arruda não precisou sequer usar os quatro adjetivos que conhece: a nobreza do ínclito Beltrão fala por si e é mais forte que mil imagens.
15/4 Segurança. O promotor Paulo Castilho vai recepcionar a delegação do Sport hoje no Parque Antarctica. Segundo ele, o ônibus dos pernambucanos virá com um promotor e um juiz do Estado. Opa, deixou escapar trabalho de novo! Aí tem…
15/4 Direito. O Procon-SP informa que os torcedores que se sentirem lesados pela impressão de horário errado nos ingressos do jogo entre Palmeiras e Sport poderão acionar o clube por danos morais. Ah, claro, porque se Arruda não avisa… É que o dia era fraco. Apenas a informação jornalística acima (a terceira em dezenas) e isto aqui embaixo…
15/4 Dividida. “Quero ver a fidalguia do Belluzzo. Se ele der 30% da segurança que demos para ele, está bom” Do vice de futebol do Sport, GUILHERME BELTRÃO , sobre o presidente palmeirense, Luiz Gonzaga Belluzzo, oferecer segurança aos pernambucanos no jogo de hoje no Parque Antarctica … que veio no rodapé, na dividida. Valente, esse Beltrão! Se o Palmeiras tivesse um só desses dirigentes, a esta altura estou certo de que ele estaria revoltado!
14/4 Pressão. O diretor financeiro do Palmeiras, Fábio Raiola, diz ter recebido ligação do Procon sobre falha na impressão dos bilhetes para o jogo de amanhã, contra o Sport. Nos ingressos, a partida foi marcada para as 21h50. O horário correto é 19h45. Ahá, eu sabia! Arruda sequer havia ido ao Procon, como sugere a nota acima, do dia seguinte. O homem é incapaz de trabalhar: para quê, se temos Raioli? Quanto tempo levará para que Raioli seja absorvido pelo anonimato revoltado de algum grupo homogêneo e eminentemente pardo?
14/4 Transição. Segundo Raiola, houve um problema nos controles que eram feitos pela BWA com a mudança para a empresa atual, a Outplan. “Em um ou dois jogos, tudo estará normal”, assegura. Deve ser mentira, Arruda. Deve ser mentira. Faça como o Lula: acorde fulo e ligue para o Serra. Ele está por dentro desse assunto, também.
13/4 Sem preferência. A diretoria do Real Madrid pediu a Traffic que lhe fizesse uma carta dando ao clube espanhol preferência para contratar Keirrison. A empresa parceira do Palmeiras se recusou a redigir o documento. Traffic malvada! Agora, digam-me, de onde saem essas pérolas? Desafio quem quer que seja a oferecer qualquer mínimo indício testemunhal, material ou documental de que a nota possua sequer cheiro de fundamento. Setores importantes da Folha garantem-me tratar-se de palhaçada.
13/4 Cravo e ferradura. Cartolas palmeirenses avaliam que o técnico Vanderlei Luxemburgo agiu certo ao cobrar mais concentração do atacante Keirrison, entusiasmado com possíveis propostas da Europa. Mas que errou ao fazer isso publicamente. As vozes que Arruda ouve coincidem espantosamente com o senso comum de botequim que impregna a atmosfera de redações esportivas. Ele não precisa falar com dirigente nenhum para repetir o que a patota diz. Além de Rainha de Copas, Arruda é a Rainha de Cópias. Oxalá não se torne a Rainha de Cócoras.
12/4 Pacificador. Do presidente palmeirense, Luiz Gonzaga Belluzzo, sobre a briga entre São Paulo e Corinthians: “Temos que brigar só dentro de campo. Isso [a briga nos bastidores] não é inteligente. Temos que acertar os ponteiros para ganhar mais dinheiro”. EU NÃO ACREDITO! UMA NOTA POSITIVA! A PRIMEIRA, NO 5º DIA DE UM MÊS INTEIRO E NUM TOTAL DE 68! PA-RA-BÉNS, ARRUDA! PA-RA-BÉNS!
12/4 Não é assim. A diretoria do Palmeiras diz que não pagará R$ 30 mil aos atletas pela vitória contra o Sport, como alegam cartolas. Conta que o prêmio já havia sido combinado no início do ano. Agora está claro que Arruda utiliza seus genéricos sem o mais mínimo cirtério: os cartolas desta nota não são, evidentemente, os mesmos que na outra poderiam ser diretores. Nesse caso, por que não ouvir também os cartolas que diziam que o prêmio já estava estipulado de antemão? Porque, tanto quanto o que foi feito, não seria bem jornalismo, e Arruda não quer saber de jornalismo: ele veio para confundir. Entre duas versões acerca de nada, ele sempre prefere a que insinue ponto negativo. Sempre. Sempre. Sempre. E acabou.
11/4 Presa ferida. Na volta do Palmeiras de Recife, a discussão entre cartolas, membros da comissão técnica e Vanderlei Luxemburgo era a de que o Santos entrará em campo hoje esfacelado pelos problemas internos. Além da denúncia sobre suposto suborno ao ponte-pretano Jean, avaliam que o clima no grupo não é dos melhores. Os três principais atletas santistas passam por problemas. Fábio Costa vive drama pessoal, Neymar está jogando com dedo do pé fissurado, e Kléber Pereira está revoltado com o treinador Vagner Mancini. Novamente: no Palmeiras, mesmo a alegria é envenenada pela soberba. Não há êxito sem contrapartida da esperança de um fracasso, donde é sempre gostoso encaixar qualquer elemento deletério para futura referência. Essa gente do Painel não tem graça em nenhum sentido.
11/4 Quem poupa… Existe corrente no Palmeiras que defende a escalação de um time misto hoje na Vila Belmiro. A alegação é que o clube deve priorizar a partida de quarta-feira, contra o Sport, pela Libertadores. Luxemburgo se mostrou simpático à ideia. O presidente palmeirense, Luiz Gonzaga Belluzzo, apesar de achar difícil priorizar uma competição, diz que acatará decisão de Luxemburgo se escalar reservas. “Eu apoio. Ganhamos o jogo contra o Sport nos últimos 30 dias, nos preparamos psicologicamente”, afirmou. Favor verificar o comentário acima.
10/4 Rastro. Entre dirigentes santistas, é cada vez maior a suspeita de que quem iniciou a denúncia foi gente do próprio Palmeiras com o objetivo de desestabilizar o time. Essa denúncia é aquela de suborno do zagueiro Jean. Vem de outra nota, que sequer envolvia o Palmeiras. Notem que a Portuguesa deu a cara inteira para bater, duas faces à mostra, e, diferentemente do jornalista Arruda, o fez dando nome aos bois e assumindo os riscos mais bocós – mas nem essa dignidade ingênua de toda estupidez é digna de respeito para alguém como Arruda. Mais uma vez: fontes próximas às pessoas que prepararam as mais recentes injeções de Arruda garantem que ele inventou essa história toda.
10/4 Voo da alegria. A viagem do Palmeiras a Recife custou, só com o fretamento do avião, quase R$ 200 mil, pagos por torcedores remidos. Eles, porém, não embarcaram, por causa do tamanho da delegação levada por Vanderlei Luxemburgo: 23 da comissão técnica e 25 jogadores. Nota meramente protocolar apimentada pela terminologia depreciativa “vôo da alegria”: conforme o constatado, Arruda não se permite um dia sem notas negativas em relação ao Palmeiras. Dessa vez, mal e mal se entende quem ele quis cutucar. Se lhe perguntarem, hoje, o que quis dizer, estou certo de já terá esquecido.
9/4 Bichão. Pessoa que esteve no encontro entre Luiz Gonzaga Belluzzo e o governador pernambucano, Eduardo Campos, conta que o palmeirense deixou escapar que o prêmio pela vitória contra o Sport seria de R$ 30 mil. Belluzo é mesmo um otário, soberbo, falastrão. Que revoltante, hein? Ainda bem que havia mais uma “pessoa” certa no lugar certo, na hora certa e ouvindo a coisa certa. Como alguém consegue escrever desse jeito durante tanto tempo? Estou enjoado só de ler as notas de um único mês referentes a um único time. Começo a ter pena de Arruda. Mais tarde, quando puderem, voltem às notas do dia 12.
8/4 Por segurança. Irritada com as insinuações do Sport, que queria um árbitro estrangeiro para o jogo com o Palmeiras hoje, a Comissão de Arbitragem da CBF enviou carta à Conmebol, junto com o Palmeiras, manifestando a insatisfação com os pernambucanos e pedindo a escalação de um juiz de fora para não despertar suspeitas. No documento, os palmeirenses lembraram até da pressão sofrida pelo árbitro na final da Copa do Brasil em que o Sport bateu o Corinthians. Cartolas alviverdes declaram que o arquirrival foi prejudicado. Ô, povo irritadiço, hein? Revoltado e irritadiço. Não, essa nota, isolada, não é má. Mas posicionada no quadro geral, é impossível dissociá-la das notas dos dias 27 e 29. Sempre que pôde, Arruda deu o colorido habitual aos desdobramentos de um fato que não pode ser negado: a solicitação, por parte do Sport, de árbitro estrangeiro, e as reclamações do Sport em relação a arbitragens estrangeiras – em vez de ressaltar o clube pela incongruência, coisa fácil em duas notas curtas e sérias, Arruda preferiu dizer que o Sport “descobrira” manipulações de “bastidores da Libertadores”. Coisa, aliás, que já começa na nota seguinte, aqui onde…
8/4 Urgente. Cartolas da Conmebol dizem que palmeirenses articulam com pressa encontro entre os presidentes Luiz Gonzaga Belluzzo e Nicolas Leoz. Tentaram isso nos últimos dez dias, antes do jogo, mas não foi possível por falta de tempo de ambos. … ficamos sabendo que não é de hoje que o Palmeiras vem tentando fazer sujeirada.
8/4 Diplomacia. O presidente palmeirense deve ir à Ilha do Retiro acompanhado do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB). Foi com ele que Belluzzo armou a estratégia para acalmar os ânimos entre os clubes. Arre! Maledicência 64, notas neutras 03. Faltam dois dias. Força, Arruda!
8/4 Da terra. Com a ajuda do governador, o palmeirense, dias antes do confronto, deu entrevistas a órgãos de imprensa e falou de sua ligação com o Estado. Ele é casado com uma pernambucana. Note-se apenas que, sem a ajuda do governador, Beluzzo não poderia revelar a regionalidade secreta de sua mulher. Não é uma nota negativa, é verdade. É apenas de uma estupidez fantástica.
7/4 Executivo. O Palmeiras contratou o economista Eduardo Novo, que tem pós-doutorado e já foi professor visitante na Universidade de Princeton (EUA), para ser o gerente financeiro do clube. O quê? Mais uma? Não acredito! Redatores garantem, revoltados, que esta nota não foi escrita por Arruda, e sim por Felipe Giocondo, vândalo contumaz e assassino de honras famosíssimo. Ele invadiu a gráfica da Folha, passou corretor de textos em todos os exemplares e colou tirinhas -mimeografadas, aliás – com esse texto em cada um deles. Claro que não poderia fazer tudo isso sozinho. Serra o ajudou. Hei, Jennifer, calma! Eu sou casado! Que dedo é esse aí, minha filha? Que coisa. Eu, hein?

E não, não sou paranóico – antes que alguém ache necessário ser engraçadinho o suficiente para dizer “E por que o Arruda faria isso, qual o interesse do rapaz numa coisa dessas?”. Não sei. Isso é trabalho para jornalistas, que vivem de coisas assim. O que sei é que, no mesmo período analisado, Santos, Corinthians e especialmente o São Paulo não sofreram com tantos problemas diários pelos quais todos os clubes socias passam, nem muito menos com a sandice de seus dirigentes Góluns. Pelo contrário.

Em 17 de abril, os jogadores do São Paulo beneficiaram-se pela Inspiração. Muricy Ramalho pediu a seus atletas para “esquecerem” Rogério. Na volta da Colômbia, porém, ao menos três jogadores liam, no avião, o livro recém-lançado pelo goleiro são-paulino. Assim como o Sport, estiveram procupados com safadezas e, em 16 de abril, disseram Sem essa. A diretoria do São Paulo diz que será mais uma prova de complô contra o clube se o juiz Cléber Wellington Abade for escolhido para o clássico com o Corinthians. Fazem isso porque são unidos e um ao outro dão Força. Após sua operação anteontem em São Paulo, Rogério falou por telefone com seu substituto, Bosco, que está com o time na Colômbia e representou os colegas, em 15 de abril. Generosos, em 12 daquele mês retribuíram à maldade com tratamento contrário ao que se poderia chamar, sem ironia, de Recíproca. O São Paulo afirma que o tratamento aos corintianos no Morumbi será melhor. “Eles poderão ficar num camarote isolado, com poltronas de couro, TV de LCD e serviço de bar com garçons”, afirma Cunha. Pudera, diante de tanto Olho gordo. Alguns amigos do goleiro são-paulino diziam ontem que as falhas dele nos últimos dois jogos eram coisa de “corintiano invejoso”, principalmente pelo fato de ele ter lançado um livro de seus 15 anos de carreira, no dia 11 de abril.

E por aí foi, e por aí vai, e por aí irá.

Trabalho sério, o do Arruda. Trabalho sério, hein?

Que coisa.

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O Blog do Meu Saco está de volta, agora no WordPress. A mudança era necessária, e os motivos são tão do conhecimento geral, sobretudo daqueles que trabalham com blogues, que me dispenso de chateá-los com assunto assim batido.

As apresentações, por incrível que pareça (ao menos para mim), não são mais tão necessárias quanto seria de se esperar quando, com mais de um aniversário, o endereço antigo deste blog contava com algumas dezenas de posts comentados por meia dúzia de gatos pingados – para ser honesto, menos que isso.

Um pequeno empurrão do ora hibernante – jamais falecido, para mim ao menos – Observatório Verde foi o suficiente para tirar este Saco Cheio da escuridão e levá-lo, rude e determinado, à penumbra de onde nem o mais completo abandono forçado – jamais relaxo – pôde expulsá-lo até o momento.

E ainda houve o “Literário”, do Comunique-se, que rendeu – e ainda rende – repercussão no rádio. E os muitos sítios da Mídia Palestrina que se tornaram amigos próximos, como o Forza do Barneschi. Isso para não falar dos que já o eram, como o Forza do Ademir. E o Cruz de Savóia, esse ciclone alucinado gerado pelo meu irmão e que hoje atrai mais de 100.000 leitores por mês. E mesmo alguns outros blogs e sites alheios ao tema central do Meu Saco, como os de Emerson Gonçalves e Nei Duclós. E mais aqueles que eu, desgraçadamente, tenha esquecido agora, sem por isso deixar de estar em dívida também com eles.

Foi pouca coisa, mas foi algo. Acho que não vai ser difícil retomar de onde paramos, mas isso não faz menos necessário qualquer intróito. Miudinho que seja.

Portanto, àqueles poucos que já me conhecem e queiram refrescar a memória, àqueles inumeráveis que não fazem idéia de onde vieram parar, eis o lembrete: este é o Blog do Meu Saco. Ele está de volta. E, como não pretende confundir ninguém, passa aos avisos devidos:

1. O Blog do Meu Saco existe para espezinhar a imprensa futebolística de um modo geral e sua crônica escrita de um modo especial; é assim pois seu titular constatou a baixeza – técnica, estética, moral, espiritual – que dominou um setor que lhe é tão caro e que precisa e pode ser reparado; é assim não porque seu titular se julgue acima dos erros humanos – demasiadamente humanos, para citar um filósofo que este Saco prefere como escritor – e portador de uma missão elevada, mas porque se julga em condições de olhar, do alto deste montículo, o vale miserável de onde provém toda essa fedentina. E porque julga a tarefa de ajudar a emendar a cobertura do futebol, no Brasil, tão modesta quanto sua própria – e microscópica, aliás – estatura;

2. O Blog do Meu Saco é freqüentemente prolixo e detesta vagabundos, desatentos e congêneres, brilhantes o quanto lhes torne o verniz barato. Se você não pode com textos longos ou complexos e, pior ainda, mente para si mesmo dizendo que não precisa com eles poder, faça a mim e a si o favor de ir ao blog de Juca Kfouri, e passar bem;

3. O Blog do Meu Saco tem o indelicado hábito de submeter a argumentação alheia a um exame de validade formal prévio, anterior à discussão dos méritos, e, para isso, lança mão de recursos os mais divertidos;

4. Às vezes, o Blog do Meu Saco é boca suja, de tempos em tempos, cafajeste; em hipótese alguma cede à correição política, que despreza, mas não permite que por isso se aproveitem de seu espírito libertário para a incitação ao crime, ou para o exercício de racismo – machismo pode, porque não consigo me privar das delícias do feminismo – ou para qualquer outra boçalidade do gênero. Incluam, neste rol de proibições, as ofensas gratuitas – e portanto não meramente jocosas – à preferência clubística de quem quer que seja, seja ela qual for;

5. O Blog do Meu Saco não permite escarnecimento;

6. O Blog do Meu Saco não suporta e nem perdoa cagação de regra sem oferecimento de dados – o direito de opinar só existe em correspondência ao dever de estudar;

7. O Blog do Meu Saco, que não respeita o mais recente acordo ortográfico e que, quando o vê em versão física, material, cospe-lhe em cima, preza o idioma pátrio (ainda que compreenda e pratique toda sorte de liberdade literária e mesmo de estilo, desde que proposital – porque a liberdade ou é proposital, ou não é liberdade) e pede aos seus leitores que, por gentileza, quando surgir a oportunidade – e ela sempre surge – o corrijam com, no mínimo, o mesmo rigor com que ele sapateia sobre a cabeça de suas vítimas prediletas;

8. O Blog do Meu Saco apóia a Seleção Brasileira porque aquela camisa é a última bandeira deste país – no sentido de que é o último símbolo capaz de reunir sob si a Nação, ainda que só por um mês a cada quatro anos – não importam quais os homens que nelas estejam enfiados, e muitíssimo menos sob as ordens de quem;

9. O Blog do Meu Saco não desrespeita o passado e tem na mais baixa conta quem o desrespeite;

10. O Blog do Meu Saco leva tal nome em homenagem àquele órgão que, metaforicamente entendido, armazena nossos desgostos até o último limite, qual seja, até o dia em que já é irreprimível o desejo de – como direi? – livrarmos-nos deles, transmutando-os em algo de bom os bons, e de mau os covardes. A intenção é publicar sempre que possível, mas desta feita comprometo-me a publicar ao menos um post por semana, sempre às segundas-feiras, tirantes os períodos de férias.

O Blog do Meu Saco está de volta.

E não está nada contente.

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Uma graça, esse Marcelo Damato. Acompanhem aqui. Vejam quanto – como direi? – espírito:

O primeiro milagre de são Luiz Gonzaga

por Marcelo Damato

Aquele que foi coroado o Messias alviverde, no seu primeiro dia de governo, perpetrou o seu primeiro milagre no Parque Antarctica.

Lenny, que não marcava um gol havia quase 700 dias, desencantou sob os olhares de Luiz Gonzaga Belluzzo, e comemorou sob a forte chuva. Parecia que até Deus ficou emocionado com esse milagre. E o Palmeiras, mesmo com um time misto, goleou o Marília por 3 a 0.

Mas como no futebol não há milagre que seja puramente santo, tão logo Lenny estufou as redes, surgiu uma tempestade elétrica vinda dos céus que derrubou a minha Net, a minha banda larga, por infinitas horas, até estas 3h da manhã.

E não pude ver, apenas ouvir, o final da partida.

Mas Belluzzo precisa se acautelar. São Luiz Gonzaga, o Patrono da Juventude, foi tão santo quanto efêmero. Morreu aos 23 anos, infectado por um moribundo a quem carregou nas costas.

OK, Damato estava louco para fazer a piada – e, com ela, manter certo tom em relação a certos assuntos. Só que, se a exemplo de muitos de seus leitores que se manifestaram em seu blog, alguém mais susceptível resolver interpretar a última frase do texto, não vai precisar se esforçar para notar que, em outras palavras, Damato chamou a Sociedade Esportiva Palmeiras de “moribundo infecto”. Sem querer ou não, querendo atingir Luxemburgo ou não, é impossível não admitir o clube no rol de possibilidades oferecidas pelo texto. Não me venham com rodeios, por favor. Metáforas são para isso mesmo.

Quem, por amor à literalidade – ou à pollianice – quiser se arriscar a dizer que Damato não disse que o Palmeiras é tal qual um “moribundo infecto” – seja lá o que isso signifique para esse sujeito – deverá sustentar que o doce jornalista talvez acredite, com toda a força de seu coração fofo, que Beluzzo é mesmo o jesuíta São Luiz Gonzaga, capaz de operar milagres como o de aturar, com celestial serenidade, gente que escreve “moribundo infecto” e ainda acha que está sendo sutil.

Depois, essa turminha ponderada, que vive das letras e de suas nuances, vem e nos pede respeito e educação.

Que gracinha, né?

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O objetivo deste blog é, na medida do possível, criticar a cobertura esportiva brasileira. Mas há quem não queira deixar espaço para ninguém. Há quem queira falar jaca sozinho, egoisticamente. Juca Kfouri não admite que ninguém mais faça mais papel de maluco do que ele. É quase vaidade, senhores. É quase orgulho. Aqui. Nem pude prestar atenção no mérito. Ao que tudo indica, Kfouri está bravo com o Goiás por conta do preço dos ingressos para a decisão do Brasileirão. Daí, escreveu isto:

“O negócio é mamar no Bezerrão”

“Adivinhe em que país do mundo a decisão do campeonato de futebol será disputada longe das cidades dos dois times em disputa e com ingressos a 400 reais?

É claro que é no Brasil.

Goiás e São Paulo vão jogar no Bezerrão, no DF, como se sabe.

E como lá só cabem 20 mil torcedores, o Goiás, mandante do jogo, mas obrigado pela CBF a jogar onde não queria, resolveu diminuir o prejuízo e salgar o preço, certo de que só os são-paulinos da Capital Federal vão querer ir ao jogo.

Generosa, a direção do Goiás concede cobrar 200 reais a quem levar uma muda de roupa ou um quilo de mantimentos para as vítimas das enchentes em Santa Catarina.

A CBF, que criou o caso, e o São Paulo não gostaram da história.

E vamos ver shows de demagogia nas próximas horas, em nome dos interesses do povo, da economia popular e quetais.

O fato é que o estádio de Gama tem tudo a ver com isso, porque em que lugar do mundo se pode mamar melhor do que num Bezerrão?”

Comentário para o Jornal da CBN desta terça-feira, 2 de dezembro de 2008.

A crônica termina com uma pergunta. Perguntas, mesmo quando retóricas, ensejam respostas.

Eu respondo! Eu sei! A resposta é… numa vaca! A vaca, quando o assunto é dar de mamar, oferece melhores condições do que o bezerro, seja para lactentes, seja para meros amantes do leite e de seus derivados – dentre os quais, é verdade, me incluo (entre os amantes, não entre os derivados)! Ela tem tetas que, para o pasmo do colunista, podem ser ordenhadas! Cabras também! Aliás, qualquer fêmea mamífera em condições de procriar sair-se-á melhor do que qualquer bezerro, grande o quanto seja o bichinho, na tarefa de oferecer-nos leite! Baleias azuis ou mesmo mulheres (sim, José Carlos, mulheres amamentam suas crias e até maoístas – ou ex-maoístas, afinal – mamaram um dia) darão conta do recado com mais naturalidade do que jovens tourinhos. Dizem que a coisa pode desandar porque, noves fora, estamos falando de gordura animal. Mas (aposto) é melhor beber leite, integral o quanto for, do que líquidos brancos e espessos engendrados nas entranhas dum jovem macho e obtidos sob sabe-se lá qual expediente que, assemelhado o quanto seja à ancestral ordenha, talvez não pareça processo muito – como direi? – familiar aos nossos produtores tradicionais e, em regra, tradicionalistas. Eta interiorzão atrasado, hein, Juca? Os caras ainda estão na época em que leite se tirava era da vaca! Malditos reacionários!

Ou Kfouri não sabe de onde vem o leite, ou anda confundindo órgãos, glândulas, secreções, fluidos, consistências, odores e – valha-me Deus – quiçá sabores, vai saber. Imagino-o nas manhãs paulistanas, estranhando o desejum e chamando a patroa entre muitas caretinhas muito sabidinhas:

_ Amor, que porra de leite é esse que você me serviu?

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Ontem, assisti ao “Cartão Verde” todinho. Não foi a primeira vez, não será a última. Compreendo os atrativos do “Cartão”. E é sobretudo por conta deles que, em minha opinião, certas características do programa conferem-lhe qualquer coisa de psicopatológico. Pelo amor de Deus, não se ofendam por precipitação. Vou chegar aonde quero, e vocês verão que não é nada pessoal. Um pouco do histórico, antes.

A primeira versão, de 93, contava com Trajano, Flávio Prado, Juca Kfouri e Armando Nogueira. Já continha todos os elementos que fazem do programa de hoje um produto na linha das televisões fechadas; um produto destinado à gente – como direi? – de bem, não é mesmo? Funciona assim: as mesas-redondas tradicionais são pouco sérias, há nelas muito espaço para a caricatura, para o popularesco e – por que não dizer? – para a apelação. Vamos reunir aí meia dúzia de camaradas articulados, que gostem de futebol e que estejam habituados ao debate civilizado. O espectador inteligente não deve ser obrigado a aturar pessoas urrando incongruências, sem parar, umas nas orelhas das outras; temos mesmo obrigação de lhe oferecer alternativas saudáveis. Associemos tal idéia à outra idéia, a de que é possível produzir algo assim sem se perder a leveza, o desprendimento bem-humorado que não pode deixar de ser relacionado ao esporte. Sobretudo ao esporte que se transformou numa espécie de signo do espírito alegre, musical e jovial desse tipo de brasileiro tão Bossa Nova, mas tão Bossa Nova que pruridos mil tomam-lhe todo o corpo à mera menção da Caninha 51, tanto mais se interposta entre dois gols cometidos num pré-histórico campeonato estadual.

Nada contra a Bossa Nova, eu inclusive gosto de Bossa Nova – e detesto 51. O problema é que a premissa que inspira o “Cartão Verde” já andava, à época, meio mal colocada: há, sim, gente capaz de perceber muita idiossincrasia nos programas ditos tradicionais, e de se irritar com ela. Gente que, portanto, estaria disposta a assistir a debates mais ponderados, menos pontuados de material folclórico, menos poluídos por merchandising. Isso é uma coisa. Outra coisa é encarar tal público como mais “preparado”, seja lá o que isso possa querer dizer acerca de camaradas que se dispõem a assistir debates sobre a mais recente rodada do Campeonato Paulista, Gaúcho, Mineiro, Carioca ou do raio que o parta. É outra coisa porque empresta às figuras que atenderão tal público as qualidades que se atribuem a ele, o que é mais ou menos engraçado. Sejamos honestos: Flávio Prado, por exemplo, não é mais preparado para falar de futebol do que qualquer outro bacharel em direito aficionado em futebol e que goste mais de vê-lo hoje, na Gazeta, do que gostava de vê-lo na TV Cultura de 15 anos atrás. Assim, se hoje conta com a audiência deste nosso cidadão fictício, mas verossímil, não é porque tenha se tornado menos preparado – é porque havia outros cidadãos de igual preparo lhe davam pontinhos no IBOPE, ontem, por motivos que nada tinham a ver com o preparo que eles – ou Flávio Prado, ou Kfouri, ou Trajano – tiveram ou têm. Preparo é a vovozinha, entendem? Conformem-se: falar de futebol, bem o quanto seja, não é a coisa que peça mais preparo no mundo. Ouvir, muito menos. Numa área em que muitos sequer são capazes de oferecer o mínimo, pretender-se num estrato mais qualificado por conta de certo verniz barato é coisa de espertalhões. Não de gente “preparada”.

Há outros motivos para se sustentar um programa como o “Cartão Verde”, motivos esses que se revelam no simples fato, indiscutível, de que o programa serviu de matriz para todos – é, todos – os programas de debate futebolístico produzidos, posteriormente, paras as opções por assinatura. Aliás, metade da mesa original do “Cartão” está na ESPN, não é mesmo?

Em 93, o processo de tecnicização da cobertura futebolística já estava concluído, o discurso deslumbrado ante a estrutura material do futebol europeu, pronto, e o moralismo bom-mocista, antiga marca do jornalismo esportivo brasileiro, perfeitamente adaptado às necessidades da geração que se incumbiu de carregar todas essas bandeiras tidas por “modernizadoras” – rótulo que, no Brasil, equivale a uma espécie de ascensão deontológica intrinsecamente benéfica e necessariamente inevitável. Aquela velha ladainha de que o mundo anda para frente, e rápido, e de que isso é bom e inexorável.

Todas essas características estiveram atravessando o antigo “Cartão Verde”, o tempo todo. Mas, ali, havia muitos e muitos atenuantes que garantiam a palatabilidade da atração.

O primeiro era a presença de Armando Nogueira. Sim, acho a postura romântica de Armando um tanto quanto forçada, artificial. E, com freqüência, o jornalista cai no mais rasteiro pieguismo. Mas isso tudo é matéria de gosto. Armando Nogueira é de um tempo em que o jornalismo era uma atividade séria. Ele é profissional. Ninguém é louco para vir aqui e dizer que o homem escreva mal, por exemplo – ainda que o estilo não agrade a este ou a aquele, Nogueira desenvolveu um que é dele, inconfundível, fundamentado o suficiente na tradição literária do idioma para ser capaz de render momentos inesquecíveis aos leitores. Anacrônico que é, ainda exige de seus próprios raciocínios toda a legitimidade formal que se espera de quem pretenda dizer coisas logicamente válidas e, portanto, úteis ao debate – qualquer debate. Havia entre ele e seus pares de “Cartão” um verdadeiro abismo de, ora vejam só, preparo, aliás só disfarçado pelo elemento adicional de uma educação irrepreensível que, se tais pares não podiam compreender, porque dela não participavam, também não sabiam contornar, por questões de menoridade psicológica.

O segundo alento é que de um ambiente habitado por José Trajano não se podia – como hoje se pode menos ainda – obter nada muito parecido com a tão almejada ponderação e frieza técnica, o que terminava compensando a absurda homogeneidade de opiniões – tinta típica desses quadros pintados sobre as telas do “público diferenciado” – com algum agito que o desequilíbrio emocional (às vezes, aparentemente mental) sempre garante. Acontece nas piores famílias. Acontecia com o “Cartão”. Acontece no “Linha de Passe”. Nesse sentido, as personalidades de Kfouri ou Prado, conforme a época, também ofereceram qualquer coisa humana ao programa, já que ambos são muito bem-humorados até que, no caso do primeiro, se ameace discordar dele e, no do segundo, lhe pisem algum calo criado pelo atrito ou da vaidade intelectual, ou do gênio autoritário com os rumos que a vida toma. Ademais, o programa exibia bons melhores momentos, a cobertura completa dos principais jogos; as imagens sempre foram boas e os repórteres, acima da média. A direção era boa, as coisas se apresentavam em ordem, o cenário era bacana, leve. É, dava pra assistir. Juro.

Porque, o atual, não dá mais. O horário é bom, a idéia de apanhar a oportunidade no meio da semana foi excelente – acho até que, em quintas-feiras como a de hoje, caberia uma edição extra, mais enxuta. O cenário está – como se diz por aí, pelos campos da petulância corporativa – OK. As imagens continuam boas, mas o nível das coberturas específicas caiu bastante – a repórter dessa nova versão, uma moça que ontem cobriu a Portuguesa, é a cara e o cheiro da Gazeta, para se ter uma idéia de como a coisa soa razoável. Esse e outros pequenos defeitos seriam perfeitamente ignoráveis, inclusive porque há até qualidades – como o tratamento civilizado que se dá aos convidados – não fosse por um fator que incomoda o tempo inteiro e que, para mim, chega a inspirar alguma espécie de mal-estar premonitório, a dar-me a sensação do movimento subaquático dos terríveis pesadelos. Acompanhem-me.

O programa voltou a contar com membros fixos. São eles o apresentador Vladir Lemos, os jornalistas Vitor Birner e Xico Sá e o comentarista Sócrates, ex-jogador.

O primeiro é correto, mas exige-se quase nada dele: como todos concordam acerca de tudo que for o principal, deixando-se as discordâncias para os termos da melhor instrumentalização possível desta ou daquela opinião em relação àquelas idéias centrais, Lemos não medeia nada. Apenas toca a coisa estampando um sorriso vidrado no rosto.

Birner, bem, Birner não é coisa que se possa levar muito a sério, como jornalista. Como assessor da situação do São Paulo, talvez. Seu texto é ginasial. Birner utiliza as vírgulas como alguém que pretendesse temperar um prato com páprica e, por engano, espalhasse balinhas Tic-Tac sabor Tutti-Frutti por toda a panela para, depois, não perceber a diferença. Ambos, Lemos e Birner, ontem, sacaram e-mails de telespectadores que elogiam o programa pelo clima de botequim. Eu mesmo peço isso de mesas-redondas, mas desconfio que tais telespectadores freqüentem botequins mórmons, ou coisa parecida. Em toda a minha longa jornada por botecos de todos os matizes e níveis, jamais vi qualquer tipo deles capaz de abrigar conversas sobre futebol sem interpelações fora de hora, agastamentos, alguma elevação de voz e muita, muita divergência profunda, conceitual. Para piorar: outro componente, Sócrates, é um dos dois únicos partícipes em condições de freqüentar à vontade estabelecimentos desse gênero, mas por algum motivo está claro que o sujeito, a exemplo do que ocorre a inúmeros outros ex-atletas geniais, simplesmente não tem mais saco para futebol.

Para ser sincero: Sócrates, é nítido, mal sabe quem está jogando onde, quem é quem ou o que quer que seja a respeito do que quer que demande alguma atenção. Vai ao programa a passeio. Ainda que eu repute como supervalorizada suas capacidades intelectuais, ele as tem. E é nitidamente boa-praça. Mas sua contribuição se resume ao tom pastoso dos grandes bêbados de antanho, que seria perfeito num programa em que Vitor Birner não lhe perguntasse – por brincadeira ou não, não duvido de mais nada (pareceu-me sério, inclusive) – se ele esteve em campo quando Fabinho anotou um gol de mão em Santo André, na primeira metade dos anos 90. Afora a curiosidade psicanalítica oriunda do fato de Birner precisar ter ido tão longe para encontrar um gol anotado com a mão e vergonhosamente validado, o resultado desse tipo de companhia é que Sócrates vai de um assunto a outro sem concluir nenhuma idéia útil. Como também parece sempre feliz e sorridente, soma-se sua alegria alheada à atmosfera repleta de qualquer coisa à base de Ritalina e que faz o “Cartão Verde” parecer um colóquio dos Depressivos Anônimos, todos empenhados em contaminar a todos com aquela alegria laboratorial de rostos suados e sorrisos armados em aço.

Birner, por exemplo, não consegue emitir qualquer opinião sem sustentar um arco mecânico nos lábios, mostrar-nos os dentes e franzir o cenho em sinal de jovialidade achada no manual, página 54, capítulo 5, “De Como o Futebol Pode Ser um Assunto Super de Gente Boa, Mesmo se Você For Paulista”. Ontem, salvou o programa da grosseria suprema de não oferecer os pêsames à família de Bindi, mas nem nessa hora soube se livrar da máscara de hilaridade – sentimento que, certamente, não era o seu diante da morte do amigo e do pesar da família.

De que diabos Vladir acha tanta graça, que não pode dizer nada sem aquela risadinha limítrofe nos lábios? Eu não sei, mas depois que ele nos exibiu os seis gols de Fluminense e Vasco, no final do programa, e não se deu ao trabalho de identificar mais da metade dos autores deles, não vejo como encontrou tempo para exibir ares fabricados de final de tarde, o solzinho caindo no meio da tardinha regada a chopinho. Aliás, o tratamento dos jogos é mesmo superficial, o que é imperdoável.

Xico Sá? É, esse é engraçado. E inteligente. Mas está ali para fazer o papel de Cacá Rosset do Bem. Não tem o mínimo interesse em dizer nada sério, e sua presença revela certo traço monomaníaco da produção do programa: se era para ser “uma maneira diferente de interpretar o futebol”, seja lá que porcaria signifique tal slogan, se era para dar um tratamento sério à coisa, ainda que bem-humorado, por que precisamos de um Xico Sá de verdade ladeado por dois de mentira?

Isso tudo, mais aquela moça que me parece saída da mais profunda Mooca e que esteve ontem, no Canindé, fazendo as vezes de repórter, entrevistando as figuras mais marcianas que encontrou – algo assim muito empático, afinal – e entregando todos os sorrisos e toda a alegria previstos no prospecto, foi mais do que o suficiente para me infligir forte desconforto mental, espiritual e até mesmo físico.

Que eu devolvo agora, vomitando três vezes lá em cima. E, pensando bem, três aqui embaixo também, que é pra caprichar:

Meus caros, fica por isso. Restam-nos os canais fechados. Comecemos pelo SporTV e seu imenso cardápio de mesas-redondas. Até lá.

Ora, vamos lá. Pretendia falar primeiro do Cartão Verde, mas não pude ver o programa nas duas últimas semanas – penso que preciso de mais alguns dias, para ser honesto. E os terei.

Por isso, resolvi alterar a ordem dos fatores. Mas não só por isso. Há outros motivos.

Eu sei que fui citado por Milton Neves numa manhã de domingo, e todos sabem que a citação foi elogiosa (foi o que me disseram, não ouvi). Também já fui a “Personalidade da Semana”, no “Agora” e no próprio site de Neves. E foi divertido. Gostei. Por isso, e por eu ser quase que um completo desconhecido, pode surgir a suspeita de que, agora, eu talvez me sinta como que obrigado a elogiar a mesa-redonda da Bandeirantes. O máximo que posso fazer, quanto a isso, é dizer que dou graças a Deus pelo fato de o Terceiro Tempo ser mesmo melhor do que as atrações da Gazeta e da RedeTV!. E, ainda, lembrar que já fiz minhas restrições à condição do programa quando respondi à própria entrevista de Neves, na qual afirmei que preferia seu programa aos outros, na TV, muito em razão de uma concorrência que, acho nítido, é bastante fraca.

Além do mais, essa é a mania mais irritante das ditas classes pensantes brasileiras: há todo esse esquema de filiação ideológica, cartorial, no qual as pessoas buscam se apoiar quando pretendem analisar a opinião dos outros. É como se ninguém fosse capaz de atinar com absolutamente nada antes de verificar a correção de determinadas posições ante o juízo de uma coletividade qualquer. Para que pensar por si se é possível, de antemão, verificar o que seria melhor pensar segundo a escola à qual professamos fidelidade? Ninguém está atrás de confusão, não é mesmo? O sintoma mais berrante desse – como direi? – esquema de raciocínio é a recorrência inevitável e quase permanente ao recurso erístico da argumentação ad hominen, de modo que é comum ver gente capaz de nos afirmar, nos tons mais peremptórios e professorais, que tal e qual proposição não pode ser válida porque formulada por este ou aquele camarada, mal visto neste ou naquele círculo por ser supostamente malvado, insensível, feio, chato e bobo. Sobre a proposição mesma, necas de pitibiribas. É dose. Não perco mais tempo com isso.

Portanto, não se preocupem. Qualquer coisa que eu diga a respeito do programa da Bandeirantes terá sido fruto das minhas observações acerca do programa da Bandeirantes e, por mais que minhas observações só possam ser construídas a partir das convicções que desenvolvi ao longo da vida, no final das contas só quem as pode construir sou eu, e não as pessoas que compartilham de minhas convicções acerca de tudo o mais e que, ora vejam só, podem muito bem tomar por bobagem tudo o que eu disser acerca de tudo o menos.

Bom, ao “Terceiro Tempo”. Já foi melhor, pois não? Quando estava na Record. Lá reinava aquele clima de balbúrdia e, coisa estranha, havia mais espaço para a turma “falar de futebol”, para a conversa correr solta. Na Band, diminuiu-se o espaço para se jogar conversa fora, que é quase tudo que se pode fazer de bom numa mesa-redonda. É evidente: há quem saiba fazer isso perfeitamente bem, como Beting, e há quem já o soube fazer melhor, como Paulo Morsa. O primeiro só evolui desde que surgiu, o outro parece estar de saco cheio – prefere passar a maior parte do tempo encenando o papel do anti-carioca, anti-frescura e anti-modernidade. O papel é divertido, desde que encenado na hora certa.

Sobre Beting: é um dos poucos cronistas, dentre os mais jovens, que se preocupou, lá atrás, em desenvolver um estilo. Escrevendo, já me tirou do sério, mas tenho de reconhecer que – porca miséria – encontrou mecanismos honestos de se comunicar e pelos quais se pode identificá-lo sem nenhuma dificuldade. A mesma melhora se nota, na mesma exata proporção, em suas aparições na televisão. Algumas marcas involuntariamente histriônicas que se notavam no início e que desviavam ou até distorciam nossa impressão de todo o resto estão, hoje, relevadas ao quinto plano, obnubiladas – e isso não se deve somente ao fato de termos nos acostumado com os cacoetes de Beting, mas sobretudo à evolução profissional do sujeito. No rádio, incorporou tão bem o espírito da coisa que parece que está ao lado de Neves há décadas – é muito, muito superior ao Flávio Prado dos anos 80, na mesma função. Pratica humor sem ranço, não se arrasta naquele pântano de moralismo senil tão usual e comenta o que vê de forma mais calma e mais ponderada do que quase todos os seus pares. Não sofre da síndrome do “matei o jogo em cinco minutos”, nem tampouco decide em dois tempos o que pensar (e, o principal, dizer) acerca das qualidades e defeitos dos profissionais cuja análise do trabalho é seu ganha pão.

Só que o “Terceiro Tempo” é programa televisivo e a televisão, digam o que disserem, é bastante menos rica, como meio de comunicação, do que o rádio. Na TV, muita coisa boa não se pode fazer, e muita coisa ruim não se pode esconder. A mesa da Bandeirantes tem dois sujeitos em grande forma, e só. No nosso caso, nem eles têm desempenhado como em outras ocasiões. Pelo contrário: andam sucumbindo. Até o cenário, coisa bizarra, atrapalha. Os participantes, muitas vezes, dão a impressão de serem colagens contrapostas a um fundo de videoclipe porco. Dos anos 80. Clip-Trip.

Na Record havia amplidão, cores vivas – as pessoas chegavam a caminhar pelo palco. A versão atual é visivelmente sufocante – e não sei até que ponto isso é problema de ordem material. A Bandeirantes comprou repasses dos direitos de transmissão de diversos campeonatos, pode gerar imagens; aliás, o faz com qualidade. Tudo isso custa muito mais do que cenários razoáveis. Mas não é só o que vai mal.

Há quem faça grande berreiro em torno do merchandising; acho bobagem. Penso que o problema é outro. Para não fugir da raia, abro parêntese; depois volto ao ponto central:

Sobre o merchandising: deve haver controle, limites? É óbvio que sim. Mas não adianta fantasiar: o jornalismo esportivo não cobre os grandes temas nacionais: a política, a economia, a segurança pública, a saúde. Jornalismo esportivo, ainda mais quando se fala em futebol, é coisa com a qual se divertir – futebol é brincadeira, é teatro. É negócio? É, como também é coisa séria, para gente grande. Mas arrancado de suas raízes lúdicas é mau negócio, não tenho dúvidas. Não é possível que se queira manter o mesmo padrão de exigência entre profissionais que cobrem economia e profissionais que cobrem uma brincadeira de criança levada às últimas conseqüências. Para recorrer à analogia: o Estadão desligou-se de Joelmir Beting porque este aceitou fazer propaganda do Bradesco. Ora, faz sentido. A credibilidade de Joelmir gira em torno da idéia de que ele possa falar mal do Bradesco a qualquer momento. Se ele faz propaganda, seria natural esperar que estivesse impedido de descer a lenha no patrão de ocasião, até por questões de bom tom, durante certo período. Até aí, ele faz a propaganda que bem entender – este país é livre, não é? – o Estadão o dispensa – tem todo o direito – e, mais tarde, Joelmir vai buscar outra colocação – ninguém o levará menos a sério por isso. Permanecesse no Estadão, e teríamos um nó difícil de desatar.

Por outro lado, Milton Neves não precisa falar bem ou mal da Brahma para tecer quaisquer observações sobre futebol; isso é claro. Que opinião sua poderia ser modificada, sei lá, a respeito de Givanildo de Oliveira caso não estivesse contratado pela cervejaria?

Se mantivesse a mesma relação com o Sondas, a coisa se complicaria: o Sondas investe em jogadores. Ora, mas ele faz merchan do Sondas! Sei, só que fazer merchan não é a mesma coisa que ser garoto-propaganda, ainda que seja o tipo de situação que precisa ser estudada. Com calma. Para mim, não parece confortável, ainda que as inserções do supermercado sejam padronizadas, desvinculadas do esporte – que façam parte daquele repertório indispensável ao universo da crônica futebolística, quase incorporado ao folclore nacional e cujo melhor exemplo se vê em Avalone e sua “Cantina Chique dos Jardins”, ou seus sapatos “DiPolini”. Avalone caiu? Ora, se tivesse usado “Argamassas Portocol”, não tinha caído. Silvério que o diga. OK, de volta ao Sondas.

Ninguém impediria os executivos da empresa de, no mínimo, solicitar ou, no máximo, pressionar por algum elogio ou defesa a este ou aquele atleta cujos direitos pertencessem à rede. Daí o incômodo, que existe e deverá ser tratado. Ainda que esteja muito distante da condenação resoluta, típica de gente que confunde ética com guilhotina por conferir àquilo que é ideal o caráter mui mundano das ferramentas que melhor ornem com as próprias almazinhas sapecas, reconheço a existência da questão.

Há maneiras de contornar essa possibilidade? Não sei. Quem critica sem refletir, fundado em motivos pessoais, também não sabe, não quer saber e sente muita dor ao pensar a respeito – aliás, sente muita dor ao pensar em qualquer coisa, além de nos provocar dores piores ainda quando tenta se fazer entender. A coisa é complexa o suficiente para não permitir esses juízos de valor contundentes, puríssimos, impolutos. As respostas passam por conversar com gente série, capacitada e que viva em seu mundo situações comparáveis a esta. Talvez se as encontre no mercado corporativo, na administração pública; talvez se as encontre no exemplo de outros países. Na experiência.

Na inveja e no ódio irracional é que não vai ser. E nem aqui, neste Blog, porque tenho mais o que fazer. Fecho parêntese. Voltemos ao que interessa.

O problema com o “Terceiro Tempo” é que a coisa anda apoiada somente nas capacidades de entretenimento de Neves. No rádio, ele consegue segurar o ritmo por um dia e uma noite, sem descanso e sem susto – e tratando de material sério com muita qualidade. Na televisão, está tendo que abusar da criação de polêmicas, de suspense, de tensão. No rádio Neves pode, como inclusive pôde (em menor grau, por conta do tempo, é óbvio) em muitos momentos na Record, intercalar esses recursos com bom conteúdo e mesmo transmitir tal conteúdo bom a eles; na atração que está indo ao ar, não tem encontrado o tom. Se a bola vai até Beting, ainda rola. Se pára em Godoy, é o velho caso da cabeça de juiz e do bumbum de neném: dali, ninguém sabe o que vem.

Godoy é muito engraçado, às vezes parece boa gente – os jogadores do seu tempo de apito o tinham (e têm) na mais alta conta, para se ver como deve ser honesto – e disso ninguém jamais pôde sequer duvidar. E era belíssimo árbitro. Pena que sua carreira vá se embotando, em perspectiva, pela condescendência confusa, cheia de remorso com que ele, hoje como comentarista, trata seus pares da ativa. Pior: quando se depende de Godoy para mais do que rompantes pontuais, tudo fica muito chato, monotônico. Tanto o ex-árbitro como Morsa não vão funcionar num conjunto que não esteja afinadíssimo, inclusive com o contexto. Os dois estão encolhidos às caricaturas que se fez deles, e que não correspondem ao que já ofereceram ao público. Se não eram nada fora do normal, ao menos colaboravam no todo. São jogadores para compor elenco, por assim dizer.

Osmar de Oliveira? Talvez ajudasse. Mas tenho o pressentimento de que, no lugar do comentarista clássico, do debatedor atinado e do corintianismo à moda antiga, fôssemos topar apenas com mais um polemista de ocasião, esbugalhando os olhos de Sampacu-Açu, contrastando temível com aquele cenário digno de Zé do Caixão com o qual serviram MN. Porque o problema está menos na fórmula do que na proposta da coisa, mal trabalhada, ansiosa – meio histérica, até.

De tudo isso resulta que o novo “Terceiro Tempo” ainda está bastante desequilibrado e tem muito a melhorar. Por isso aqueles berreiros todos que, como disse um leitor deste blog, nos impedem de ouvir os convidados (na maioria das vezes, melhores do que os da concorrência). Por isso que a sessão de lances polêmicos é tão aborrecida como a dos rivais do gênero. Por isso que o programa leva aquela carinha de muxoxo ali em cima, para dar conta de certa decepção.

Dá para melhorar. Só que vai ter que ser rápido.